Pronatec oferece 575 mil vagas em cursos

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Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) oferece 575 mil vagas gratuitas em cursos presenciais e a distância em diversas áreas. Inscrições terminam em 18 de agosto.

Fonte: TV NBR

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Criação de bovinos – Pastagens

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Aprenda passo a passo como ocorrem a elaboração, a implementação e a condução de um projeto para produção animal em pasto.

Fonte: Canal Rural

Criação de bovinos – Reprodução

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Nesta edição você vai aprender quais são as características reprodutivas do animal, os fatores que afetam a fertilidade e como otimizar a sua produção.

Fonte: Canal Rural

Cresce procura por qualificação no meio rural

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A tradição do agronegócio é muito importante em Goiás, mas o melhor é que as pessoas que trabalham com isso têm buscado qualificação para que obtenham ainda mais resultados positivos.

Fonte: PUC TV Goiás

Curso de Mestrado Profissional em Agronegócio

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Coordenador do GVAgro, Professor Roberto Rodrigues, fala sobre o agronegócio e o curso de Mestrado Profissional em Agronegócio da FGV EESP.

Fonte: FGV

Curso de formação em cafeicultura

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O Senar Minas desenvolve programa de qualificação profissional em mecanização do café da mão de obra rural. Confira.

Fonte: TVU Lavras

Cresce participação feminina em carreiras de exatas

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Os estereótipos de gênero nas profissões estão diminuindo. Cada vez mais as mulheres estão presentes em cursos que antes eram dominados pelos homens. Confira na reportagem.

FONTE: TV Câmara São Paulo

Saiba quais produtos devem ou não ficar na geladeira

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Quem tem mais idade deve se lembrar que, antes, os recursos pra conservar alimentos eram diferentes. Gordura e sal eram muito utilizados. Hoje, os aparelhos de refrigeração são o principal meio pra manter os alimentos em bom estado. Mas é bom saber que nem todo tipo de produto está bem guardado na geladeira.

FONTE: TV Canção Nova

Ranking aponta UEL como a 4ª melhor universidade estadual do país

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Universidade Estadual de Londrina (UEL) manteve sua posição de melhor universidade estadual do Paraná e 4ª melhor estadual do Brasil, segundo o Índice Geral de Cursos, o IGC. O IGC é divulgado anualmente pelo MEC, imediatamente após a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). O objetivo do índice é conhecer o desempenho das instituições.

FONTE: TV UEL

Mais de 11% das universidades apresentam resultado insatisfatório

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Dados divulgados no dia 8 de março de 2017 pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que a qualidade dos cursos nas universidades do país é ruim. Em uma escala de 1 a 5, apenas 1% tirou nota máxima. Isso sem contar que mais de 11% não tiveram resultados satisfatórios.

FONTE: Jornalismo SBT

7 em cada 10 estudantes de cursos técnicos conseguem emprego logo depois de formados

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7 em cada 10 estudantes de cursos técnicos conseguem emprego logo depois de formados. E a explicação para este bom índice é simples: o mercado precisa de profissionais qualificados. Confira na reportagem.

FONTE: TV Brasil

UFV/Florestal comemora dez anos

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A implantação dos cursos de graduação ministrados na Instituição, que antes oferecia apenas cursos técnicos e de ensino médio estadual e federal. A partir de 2006, tiveram início os cursos de graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (hoje Ciência da Computação) e Gestão Ambiental, seguidos mais recentemente pelos cursos de Administração, Agronomia, Ciências Biológicas, Educação Física, Engenharia de Alimentos, Física, Matemática e Química.

FONTE: Universidade Federal de Viçosa

Senar abre inscrições para novas vagas no Projeto ABC Cerrado

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) inicia o ano com uma novidade para o produtor que deseja adotar tecnologias de baixa emissão de carbono na sua propriedade. O Projeto ABC Cerrado está com inscrições abertas para 4,2 mil novas vagas de capacitação nas tecnologias Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), Sistema Plantio Direto, Recuperação de Pastagens Degradadas e Florestas Plantadas nos estados da Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Tocantins, Maranhão e Piauí, além de 400 vagas para Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em cinco dos oito estados participantes.

O projeto é desenvolvido em parceria com a Embrapa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) com recursos do Banco Mundial. As vagas são limitadas e a inscrição pode ser feita no portal do Senar – www.senar.org.br.

O produtor interessado em participar do ABC Cerrado precisa ter mais de 18 anos, ensino fundamental incompleto (escolaridade mínima) e uma propriedade entre 4 e 70 módulos fiscais dentro dos municípios que compõem o Bioma Cerrado. Segundo a coordenadora de Projetos e Programas Especiais do Senar, Janei Cristina Resende, o produtor que tem abaixo de 4 módulos também pode participar, porém, precisa estar inserido em critérios específicos. “Nesse caso, a renda bruta anual da propriedade tem que ser superior a R$ 360 mil ou a mão de obra contratada ser superior a mão de obra familiar”,” explica.

Janei Cristina destaca ainda a importância da participação no projeto do dono ou do gerente da propriedade. “Precisamos que esse participante seja um tomador de decisões dentro da propriedade. As intervenções que serão realizadas durante o projeto irão promover a adoção de tecnologias na propriedade, então, decidir pela adoção é um papel do proprietário ou do gerente.”

As tecnologias de baixa emissão de carbono não trazem benefícios apenas para a propriedade que faz a adoção, mas para a comunidade como um todo, assegura Janei. “Os benefícios são sociais, ambientais e econômicos, como aproveitamento da mão de obra o ano inteiro, reestruturação física do solo e aumento no teor de matéria orgânica, valorização da terra e aumento na produtividade”, exemplifica.

Em 2016 mais de três mil produtores foram capacitados pelo projeto e 1,5 mil propriedades receberam ATeG do Senar.

Para saber mais sobre o Projeto ABC Cerrado, acesse o blog ABC no Senar: www.senar.org.br/abcsenar.

FONTE: Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
Assessoria de Comunicação do Senar
Telefone: (61) 2109-4128

Setor agropecuário atrai investimentos de jovens catarinenses

Jovens catarinenses voltam a viver no meio rural e investem no setor agropecuário. Em Santa Catarina, com oportunidades de renda e qualidade de vida, filhos de agricultores escolhem permanecer no meio rural e dar continuidade ao trabalho dos pais. Foi justamente o que aconteceu com Marli Brand, agricultora de São Bento do Sul, que decidiu trabalhar com bovinocultura de leite e morar no interior. A decisão foi tomada há dois anos, após participar do Curso de Liderança, Gestão e Empreendedorismo, oferecido gratuitamente pelo Programa SC Rural.

Durante os cursos, os jovens conhecem novas tecnologias e desenvolvem iniciativas que agregam valor aos produtos da agricultura familiar. Após a formação, Marli elaborou um projeto de investimento e recebeu apoio financeiro do SC Rural para construção de uma sala de ordenha e aquisição de equipamentos.

O objetivo do projeto foi melhorar a ergonomia no trabalho, a qualidade do leite e o conforto dos animais, além de dar um destino correto aos dejetos. A construção está em ritmo intenso e a expectativa é de que tudo fique pronto em três meses. “Foram quatro gerações trabalhando no mesmo local. Já está na hora de trocar de local e modernizar a atividade”, ressalta Marli.

O próximo passo da família Brand é explorar a produção de leite à base de pasto. Para isso, o plantio de forrageiras perenes de verão está em curso, além da divisão dos piquetes, que terão água e sombra para os animais. Marli também quer implantar o melhoramento genético do rebanho. “O jovem quer permanecer no campo, mas hoje, sem usar tecnologia, maximizar os lucros e racionalizar o trabalho, a atividade não motiva ninguém a continuar. As ferramentas existem, basta ter disposição para usá-las”, destaca o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) em São Bento do Sul, Rogério Pietrzacka.

Curso de Liderança, Gestão e Empreendedorismo

A formação de jovens agricultores é uma ação do Programa SC Rural e objetiva estimular a liderança, desenvolver iniciativas, oportunizar a inserção do jovem no mundo digital e nas redes sociais, além de consolidar a consciência ambiental nos processos produtivos, no lazer e na cultura local.

Desde 2013 já foram ministrados mais de 25 cursos em 13 Centros de Treinamentos da Epagri, alcançando jovens oriundos das 27 regiões do Estado. Os cursos variam de oito a dez semanas e as aulas são em esquema de alternância, que preconiza etapas que mesclam teoria e prática. Os jovens elegem uma temática de acordo com seu interesse, com o objetivo de despertar o seu potencial empreendedor.

Após a formação, os alunos elaboram projetos de investimentos individuais ou comunitários e as melhores propostas são selecionadas e recebem apoio financeiro do SC Rural para serem executadas, com contrapartida do agricultor. Já são mais de 500 jovens beneficiados com recursos para investimentos em mais de 450 projetos de melhoria de processo produtivo, agregação de valor, turismo rural, entre outros. Os recursos já passam dos R$ 8 milhões, com mais de R$ 5 milhões repassados pelo Programa SC Rural.

Programa SC Rural

O Programa SC Rural nasceu em 2011 e termina em junho de 2017, é executado pelo Governo do Estado em parceria com o Banco Mundial e destina recursos não reembolsáveis a empreendimentos da agricultura familiar, mediante contrapartida dos beneficiários. Os empreendimentos apoiados abrangem atividades agrícolas ou não agrícolas (como o turismo rural) por meio de projetos de caráter estruturante, de melhorias de sistemas produtivos ou planos de negócios, além de outras ações implementadas por cooperativas e associações de agricultores familiares.

O SC Rural é coordenado pela Secretaria da Agricultura e da Pesca e, por envolver atividades multissetoriais, é executado por diversas instituições: Epagri, Cidasc, Fatma, Polícia Militar Ambiental, Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes, Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Secretaria de Infraestrutura.

FONTE: Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
Ana Ceron e Cinthia Andruchak Freitas – Jornalistas
Telefone: (48) 3665-5147 e (48) 3664-4417

Cursos gratuitos da USP estão disponíveis em plataformas on-line

Não é preciso passar no vestibular da Fuvest ou mesmo sair de casa para ter acesso a parte do conhecimento gerado na Universidade de São Paulo (USP). Acompanhando a popularização dos cursos on-line de instituições mundialmente conhecidas, como Harvard e Princeton, a maior universidade do País não ficou de fora e vem trabalhando para disponibilizar a cada vez mais pessoas — e não apenas seus alunos — cursos das mais variadas áreas do conhecimento.

Com propostas e conteúdos diferentes, a USP está presente em três ambientes virtuais de aprendizagem, além de alimentar um projeto próprio, chamado e-Aulas. Conheça um pouco mais as iniciativas:

Coursera

https://pt.coursera.org/usp

Uma das principais plataformas de cursos on-line do planeta, o Coursera surgiu em 2012 por iniciativa de dois professores de Stanford, uma das mais importantes universidades do mundo. Fundamentado no sistema MOOC (em tradução literal, Curso On-line Aberto e Massivo), o site americano tem como objetivo “proporcionar acesso universal à melhor educação do mundo”.

Atualmente, os mais de cem parceiros do site oferecem quase 2 mil cursos gratuitos em todas as áreas do conhecimento. Se o aluno desejar, é possível pagar uma taxa para obtenção de certificado. No Brasil, o Insper, a Fundação Lemann, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), a Universidade Esradual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de São Paulo (USP) são as instituições que oferecem cursos pela plataforma.

No Coursera, a USP disponibiliza dois cursos no momento: Introdução à Ciência da Computação com Python e Origens da Vida no Contexto Cósmico.

O primeiro é ministrado pelo professor Fabio Kon, do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. Com duração de oito semanas, o curso é destinado a iniciantes na área e demanda de três a quatro horas de dedicação semanal.

O segundo tem como objetivo “apresentar os mais recentes avanços científicos na compreensão deste intrigante assunto” e conta com professores e pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, além de doutores de outras áreas. Para concluir o curso, o aluno deve dedicar de uma a duas horas em cada umas das quatro semanas de duração.

Veduca

http://www.veduca.com.br/cursos

Desde o início da popularização dos sites estrangeiros de cursos on-line, os internautas do Brasil constavam entre os maiores frequentadores. Em março de 2012, o Veduca surgiu por iniciativa de quatro sócios-fundadores brasileiros. Desde então, a plataforma de e-learning ultrapassou a marca de 1 milhão de usuários cadastrados e atualmente disponibiliza mais de 200 cursos em 21 áreas de conhecimento.

Entre as mais de 20 universidades e instituições que oferecem o conteúdo estão o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a Universidade de Oxford, a BM&FBOVESPA, a Google, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi) e a USP. O site também funciona no modelo freemium, onde os cursos são gratuitos e os certificados, em geral, são pagos.

Na plataforma nacional, a USP oferece atualmente 27 cursos em temas como direito, economia, geografia, ciências, história e política. Entre os destaques, está o curso de Física Básica, ministrado pelo professor Vanderlei Salvador Bagnato, do Instituto de Física de São Carlos. No Veduca, a USP também disponibiliza cursos como Ciência Política: Qualidade da Democracia, Medicina do Sono e Gestão de Projetos.

Univesp TV

http://univesptv.cmais.com.br/cursos

Uma das ferramentas da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), a plataforma Univesp TV também conta com videoaulas da USP. Dentre os mais de dez cursos disponibilizados estão incluídas disciplinas dos institutos da Universidade, como História do Brasil Colonial I, Introdução à Bioquímica e Cálculo II e IV.

O principal destaque da USP na plataforma são os cursos de Astronomia: Uma Visão Geral I e II. Disciplinas contidas na grade obrigatória dos estudantes de astronomia do IAG, as videoaulas já foram recomendadas por mais de 6.500 pessoas no site da Univesp TV e o primeiro vídeo do curso já foi assistido por cerca de 200 mil pessoas no Youtube.

e-Aulas

http://eaulas.usp.br

Inspirada em modelos adotados por universidades de grande porte, a USP também possui uma plataforma própria de videoaulas. O e-Aulas, inaugurado em 31 de maio de 2012, contém mais de 1.317 horas de vídeos nas áreas de exatas, humanas e biológicas.

Todo o conteúdo do portal é gratuito e aberto para a população em geral, e, além disso, qualquer professor da USP pode disponibilizar suas aulas, cursos e palestras na plataforma. Segundo o site do e-Aulas, o projeto representa “o reconhecimento por parte da Universidade de que uma de suas funções é a disseminação do conhecimento”.

FONTE: Jornal da USP
Rafael Oliveira – Jornalista

Curso de pós-graduação da PUC Minas de Raças Marchadoras

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Representantes da PUC Minas e da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) se reuniram para discutir detalhes do curso de Pós-Graduação de Equideocultura sobre raças Marchadoras. A especialização inédita no país busca aprimorar o conhecimento de profissionais da área de equídeos. Mais informações, pelo fone (31) 3319-4444 ou clique aqui.

FONTE: MMarchadorTV

“PEC do teto dos gastos trará danos graves à educação”

Para a diretora global de Educação do Banco Mundial, congelamento de investimentos no ensino será um “desastre” para as novas gerações e comprometerá a produtividade dos futuros trabalhadores no Brasil.

O Senado Federal vota hoje (13/12/16), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, conhecida como PEC do teto dos gastos públicos. Elaborada como uma tentativa de conter a crise econômica, a proposta fixa um limite para os gastos do governo pelos próximos 20 anos. No primeiro turno, realizado no final de novembro, os senadores aprovaram a proposta por 61 votos favoráveis e 14 contrários.

Se a PEC 55 for aprovada, a partir de 2018 os investimentos mínimos para educação e saúde deixam de crescer proporcionalmente à receita do país e passam a ficar congelados — corrigidos apenas pela inflação do ano anterior. Como se trata de um piso, e não de um teto, é possível, na teoria, que a União invista mais que o mínimo estipulado. Mas como as outras áreas estarão com seus orçamentos limitados, é improvável que sobre dinheiro para gastos extras com educação e saúde.

Em entrevista à DW Brasil, Claudia Costin, diretora global de Educação do Banco Mundial, afirma que os impactos da PEC 55 serão danosos às futuras gerações de alunos. “O Brasil continuará com o desastre educacional que tem hoje.”

Claudia já foi secretária de Educação da cidade do Rio de Janeiro, de Cultura do estado de São Paulo e ministra da Administração e Reforma do governo de Fernando Henrique Cardoso. Hoje, vive nos Estados Unidos, onde leciona na Faculdade de Educação de Harvard. Segundo ela, é imprescindível que o Brasil invista mais nos salários e na formação dos professores para aumentar a produtividade dos novos trabalhadores brasileiros.

“Se não conseguirmos avançar nessas medidas, estaremos condenados a uma educação de baixa qualidade, e o Brasil não vai conseguir crescer economicamente. O país será uma promessa falida”, afirma Claudia.

DW Brasil: Como a senhora avalia os impactos da PEC 55 para a educação?

Claudia Costin: Estamos com um problema sério e de longo prazo. Acredito que a PEC 55 vai trazer danos graves para a educação, sem ganhos significativos do ponto de vista fiscal. Não sou contra medidas de austeridade. Houve uma gestão irresponsável das contas fiscais, gastando-se mais do que se podia. Mas na tentativa de correção do problema, é fundamental preservar a educação. Normalmente, quando países têm problemas fiscais, ao menos os mais desenvolvidos, eles preservam a educação dos cortes. O Brasil optou por não fazer isso. É uma grande pena.

Qual será o ponto mais prejudicado pelas novas regras para investimentos em educação?

Muitos olham para os números e dizem que o Brasil já gasta muito com educação. Isso não é verdade. Países que deram saltos na qualidade da educação tiveram de aumentar os investimentos durante um certo período. Não estamos fazendo o mesmo. Pelo contrário.

Hoje, não investimos o suficiente no ensino básico e pagamos mal os professores. Acredito que o mais complicado será lidar com a questão da atratividade da profissão de professor, que vai continuar baixa pelos próximos 20 anos. Caso não se estabeleça um mecanismo de revisão logo (antes dos dez anos previstos pela proposta), o Brasil vai continuar com o desastre educacional que tem hoje.

Quais serão as consequências de não se adotar esses investimentos?

O impacto direto é condenar o Brasil a uma baixa qualidade da educação das crianças por um período de 20 anos. Nenhum sistema educacional é melhor que a qualidade de seus professores. Melhorar o salário do professor é uma das medidas mais importantes para aumentar a atratividade da licenciatura, para aqueles jovens que ainda vão escolher que profissão seguir. Pesquisas mostram que os piores alunos tendem a escolher profissões de baixa atratividade. Corrigir esses salários demanda um esforço importante, constante e progressivo. Ao congelarmos os gastos por 20 anos, isso não poderá ser feito. Não é a única medida para melhorar a educação, mas é uma das mais importantes.

O que pode ser feito para melhorar a educação no país, independentemente da quantidade de recursos investidos?

O ideal seria, pelo menos, aprovar revisões dos valores dos investimentos antes dos dez anos — como prevê a PEC 55. Mas mesmo se isso não passar, será preciso mudar a universidade que forma os professores. Tornar a faculdade de educação e a licenciatura mais profissionalizantes, preparar melhor os universitários para a profissão de professor. Também temos de pensar na criação de um processo de ensino mais adequado para os jovens e adotar um currículo nacional comum (a base nacional curricular comum já está em processo de elaboração pelo governo), que defina claramente as expectativas de aprendizagem dos alunos brasileiros. É preciso que este currículo seja muito mais adequado para as demandas do século 21: que forme jovens que saibam pensar, aplicar conceitos em situações reais, ler e interpretar textos de forma analítica. Tudo isso demanda um professor mais bem preparado. É um esforço que temos de fazer independentemente da PEC do teto dos gastos públicos.

Em que sentido é preciso melhorar a formação dos professores?

Hoje, a formação dos professores é excessivamente focada nos fundamentos da educação, como sociologia da educação, história da educação, filosofia da educação. Os currículos das universidades que formam professores trabalham muito pouco com a prática. Os cursos de Engenharia e Medicina, por exemplo, preparam o futuro engenheiro ou médico com uma abordagem prática e reflexão sobre a prática muito maior. Em educação, isso não acontece. É urgente mudar os currículos de formação de professores pelas universidades e os concursos públicos das secretarias municipais e estaduais de educação para selecionar professores que, durante sua formação, tenham desenvolvido sua competência de ensinar de forma mais prática, com maior enfoque na didática.

Caso essas mudanças não sejam adotadas, como a senhora vê o país daqui a 20 anos?

Vejo o país estagnado. Uma das questões mais preocupantes que observamos na economia brasileira é a da produtividade, que está estagnada em um patamar muito baixo. Com uma produtividade baixa, e ela tem uma correlação importante com a qualidade da educação e o crescimento econômico de longo prazo, não vamos crescer. Com menos investimentos em educação, não vamos conseguir preparar os jovens para o futuro do mercado de trabalho. Hoje, vários cargos que demandam atividades manuais e intelectuais rotineiras estão se tornando obsoletos e desaparecendo por causa da automação do trabalho. O que está sendo cada vez mais valorizado no mercado é a capacidade de criação, concepção, reflexão crítica, comunicação. E essas habilidades dependem de uma educação mais sofisticada e de melhor qualidade. Se não conseguirmos avançar nessas medidas, estaremos condenados a uma educação de baixa qualidade, e o Brasil não vai conseguir crescer economicamente. O país será uma promessa falida.

O que garante o crescimento econômico de longo prazo, especialmente inclusivo, que diminua a desigualdade, é a educação de qualidade. Se o Brasil colocar no seu projeto de nação a educação como um eixo estruturador, e investir nela, poderemos ser um país diferente.

A senhora conhece outros países que já adotaram medidas semelhantes ao que a PEC 55 propõe para a educação?

Não. No Brasil, quem usa os serviços de educação e saúde públicas são, em geral, as pessoas mais pobres. A classe média frequenta pouco as escolas públicas e os serviços de saúde do governo. Num país tão desigual como o nosso, estaremos atingindo os mais pobres. Com certeza, há outras formas de cortar gastos sem prejudicar investimentos em educação e saúde.

Em oposição à PEC 55 e à Medida Provisória da reforma do Ensino Médio (que, entre outros pontos, diminui a quantidade de disciplinas obrigatórias da grade curricular), milhares de estudantes ocuparam escolas de todo o país. Como a senhora avalia este movimento estudantil?

Durante muito tempo, o sistema educacional brasileiro tratou os jovens de forma um pouco infantilizada, como se não pudessem ser protagonistas de sua própria vida escolar. Na Finlândia, por exemplo [país com desempenho educacional excelente], as escolas não chamam os pais para discutir comportamento de alunos de Ensino Médio. Eles chamam o próprio aluno. O estudante tem de perceber que a educação dele depende do seu protagonismo. Ele é o principal ator na construção dos seus sonhos e na sua vida escolar. Quem vai sair perdendo se a qualidade da educação ficar congelada ou se deteriorar ainda mais vai ser justamente esta geração.

Por isso, vejo esse movimento estudantil de forma positiva, embora eu concorde que o ensino médio brasileiro, com uma média de quatro horas de aula por dia e 13 disciplinas, está insustentável. Precisamos criar trilhas diferentes de educação, em que o aluno possa escolher disciplinas e não cursar durante os três anos as 13, ou 15 em alguns estados, matérias obrigatórias. Se olharmos para os 30 primeiros países no ranking do Pisa, nenhum deles têm mais de seis matérias, e todos têm carga horária maior que quatro horas de aula por dia. É uma pena que a reforma tenha sido proposta por medida provisória, mas ao meu ver ela é necessária.

O Brasil obteve resultados ruins no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2015, ocupando a 59ª posição em leitura, 63ª em ciências e 66ª em matemática, de um total de 70 países avaliados. Por que o desempenho brasileiro foi tão fraco?

O Brasil está estagnado há várias edições do ranking. O Pisa enfatiza a área de ciências, de letramento científico. Em primeiro lugar, estamos com professores muito mal formados para sua função. A universidade não prepara adequadamente professores no Brasil. Um professor de química, por exemplo, tem em média três anos e meio de aulas de química e um ano, ou menos, de aulas de fundamentos da educação. Mas não aprende a didática da química, ele não aprende a ensinar os alunos a pensar cientificamente. A prova Pisa pede exatamente esta competência: aplicar conceitos científicos para resolver problemas do dia a dia. Os nossos professores não estão sendo preparados para isso. Além disso, dada a baixa atratividade da carreira, considerando os salários, condições e perspectivas, os melhores alunos do ensino médio não escolhem tornar-se professores. E mesmo os que já estão na faculdade de Química, Física e Biologia, por exemplo, na hora de fazer a licenciatura, optam apenas pelo bacharelado, porque o mercado paga muito mais que a sala de aula. A somatória das duas coisas, a baixa preparação da universidade e os salários reduzidos, explica boa parte do problema.

FONTE: Deutsche Welle
Nathalia Tavolieri

Uso de tecnologias é o que gera riqueza no meio rural

Não é mais a posse da terra nem o tamanho da fazenda o que diferencia fazendeiros pobres e ricos. Hoje, o que gera mais riqueza, e a concentra nas mãos de uma minoria dos fazendeiros, é a maior capacidade que esses fazendeiros têm de usar bem as tecnologias agrícolas disponíveis. A conclusão é do estudo sobre concentração da renda agrícola feito com base nos dados do Censo de 2006.

Os pesquisadores calcularam o que chamam de “função de produção”, para saber que influência teria, separadamente, a terra, o trabalho e conjunto de insumos tecnológicos (fertilizantes, defensivos, rações, energia, máquinas, etc.), no crescimento da renda bruta dos fazendeiros e, assim, ter uma idéia sobre o que influenciou na concentração da renda bruta observada entre os agricultores brasileiros.

Eles usaram as informações de 74 mil produtores, escolhidos ao acaso, e encontraram que, para cada 100% de aumento na renda bruta, o incremento no uso de insumos tecnológicos contribuiu com 67,86% desse aumento da renda. O aumento de trabalho contribuiu com 22,81% e o aumento da área explorada contribuiu com apenas 9,3% para o aumento da renda.

Isto equivale a dizer que se um produtor, que explora 10 hectares com uma renda de R$ 10 mil, resolver dobrar a área explorada e, em decorrência, dobrar a quantidade de trabalho, ele vai conseguir aumentar a sua renda em apenas 32,14% (9,3%, por conta da área, mais 22,81%, por conta do trabalho a mais), ou seja, em R$ 3.214,00. Para dobrar a renda, ele terá que dobrar também quantidade de insumos tecnológicos aplicados, nos mesmos 10 hectares, o que aumentará sua renda em mais R$ 6.786,00, totalizando os R$ 10 mil.

Para verificar, na realidade, o que aconteceu com todos os produtores analisados, os pesquisadores calcularam o rendimento obtido em cada hectare pelos produtores, nas diferentes classes de renda, conforme a tabela abaixo. Com os dados de renda bruta das fazendas, da área explorada e do rendimento, os pesquisadores conseguiram avaliar o que contribuiu mais (em percentagem, em vermelho) para a renda dos produtores, se a área explorada ou se o rendimento/uso de tecnologias.

O rendimento, que é a renda bruta dividida pela área explorada em cada fazenda, é uma medida de produtividade, pois informa quantos reais cada hectare produziu. É também uma forma de sinalizar, de maneira agregada, por hectare, o nível do uso de tecnologias em várias fazendas: já que não se podem somar toneladas de grãos, com litros de leite e metros cúbicos de madeira, por exemplo, é possível somar a renda dos grãos, com a renda do leite e a da madeira.

Os dados da tabela mostram que o rendimento — ou seja, a produção, ou seja, o nível do uso de insumos — cresceu do grupo de produtores de menor renda mensal (de 0 a 2 salários mínimos) para o de maior renda (mais de 200 salários mínimos). A área das fazendas também cresce na mesma direção.

Os cálculos mostram que, nas três primeiras classes de renda (até 200 salários mínimos) a renda bruta/hectare (leia-se uso de tecnologias) contribuiu mais (de 54% a 57,9%, em vermelho) para formação da renda dos produtores do que o aumento da área explorada (de 42% a 45,97%) nas propriedades.

A exceção é a última classe, de mais de 200 salários mínimos. Aí, se alcançou o uso mais intensivo de tecnologias e a maior renda por hectare. Conseguiu-se o máximo que a tecnologia pode fazer num hectare. Nesse caso, quando o produtor trabalha próximo do limite de produtividade da tecnologia, o aumento de mais hectares cultivados contribuiu mais (50,68%) para melhorar a renda bruta dos produtores, do que pode contribuir (49,32%) a tentativa de aumentar a já elevada produtividade de cada hectare.

Essas evidências sugerem que, num quadro de recursos limitados, a melhor estratégia para que fazendeiros de menores ganhos melhorem sua renda bruta consiste em concentrar os seus investimentos no sentido de extrair o melhor rendimento possível de cada hectare explorado.

Nesse caso, ao invés de usar uma grande área ou toda a propriedade, eles devem estabelecer um plano gradativo de incorporação produtiva de áreas da fazenda, de maneira a extrair um alto valor de produção de cada novo hectare incorporado, seja de uma pastagem ou de uma lavoura, até completar a exploração de toda a propriedade, ao fim de vários anos.

Esses dados indicam que a intensidade no uso de tecnologias é mais determinante para a geração de rendas para o produtor do que a quantidade de terras utilizadas. Em outras palavras, um produtor com menos terras, se for mais eficiente e intensivo no uso de tecnologias, pode ter renda maior do que um grande produtor. Como usar mais terras também significa usar mais trabalho, os dados sugerem que a quantidade de tecnologias usadas também é mais determinante na geração de rendas do que a quantidade de trabalho.

Também sugerem que foi a facilidade e eficiência em usar tecnologias disponíveis que possibilitou a 500 mil produtores aumentarem suas rendas a ponto de concentrar, em suas mãos, 87% da produção e da renda bruta agrícola nacional. O desafio que se coloca é saber o que impediu os demais produtores de seguirem o mesmo caminho de facilidade e eficiência na intensificação tecnológica.

AUTORIA

Renato Cruz Silva
Secretaria de Inteligência e Macroestratégia da Embrapa

Diploma inútil? Por que tantos brasileiros não conseguem trabalho em suas áreas

Enquanto você lê esta reportagem, milhares de jovens pelo Brasil se preparam para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), prova que pode garantir a entrada deles na universidade. Os estudantes apostam na graduação para começar uma carreira. No entanto, muitos dos que pegam o diploma hoje não conseguem exercer sua profissão.

A culpa não é só da crise econômica, que levou o desemprego a 11,8% no terceiro trimestre deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas do perfil dos recém-formados. Eles se concentram em poucas áreas e, quando buscam uma vaga, percebem que não há tanto espaço para as mesmas funções.

Essa análise foi feita pelo economista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Hélio Zylberstajn, a partir de um cruzamento de dados do Censo do Ensino Superior e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho.

Os números de 2014, os mais recentes disponíveis, mostram que 80% dos formandos estudavam em seis ramos: comércio e administração; formação de professor e ciências da educação; saúde; direito; engenharia e computação. Ao olhar o que faziam os trabalhadores com ensino superior, o professor notou que os cargos não existiam na mesma proporção dos diplomas.

Um bom exemplo é o setor de administração que, em 2014, correspondia a 30% dos concluintes. Apesar da fatia expressiva, apenas 4,9% dos trabalhadores com graduação eram administradores de empresa. Outros 9,4% eram assistentes ou auxiliares administrativos, função que nem sempre exige faculdade.

“As pessoas fazem esses cursos, mas evidentemente não há demanda para tantos advogados ou administradores. Elas acabam sendo são subutilizadas”, diz Zylberstajn.

O professor também diz que o número total de graduados seria superior ao que o mercado brasileiro pode suportar. De acordo com o Censo do Ensino Superior, em 2014, um milhão de pessoas saíram das salas de aula. Em 2004, eram 630 mil.

Mais gente no ensino superior

A multiplicação das instituições privadas, ao lado da maior oferta das bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), facilitaram o acesso dos brasileiros à graduação. De 2000 a 2014, a quantidade de instituições dessa natureza aumentou 15%. Outro fator, dizem os entrevistados, é cultural: no país, a beca é sinônimo de status.

“A gente despreza o técnico e supervaloriza o superior. É uma tradição ibérica. Como por muito tempo foi uma coisa da elite, passou a ser considerado um meio de ascender socialmente”, afirma Zylberstajn.

Para a professora Elisabete Adami, da Administração da PUC-SP, esse objetivo está ligado à ideia de que o diploma basta para ganhar mais. Ela diz que deu aulas em faculdades privadas de São Paulo e notava o desejo de seus alunos de melhorar de vida.

“Na sala, tinha três que eram carteiros, muitos motoboys, o pessoal que trabalhava em lojas. O que eles queriam ali? Subir.”

Rodolfo Garrido pensava nisso quando largou o ensino técnico para entrar em uma faculdade privada. Ele ganhava R$ 2.600 como programador de produção em uma metalúrgica. Como engenheiro, diz, seu salário poderia subir para R$ 4.000. Com a oportunidade do financiamento estudantil, decidiu apostar.

“Já trabalhava na área, então só juntei os estudos. Para poder me graduar e ter um salário melhor, poderia ganhar o dobro. Quando surgiu o incentivo do governo, comecei a pesquisar, porque antes era uma bolada.”

Depois de três semestres, teve que deixar as aulas porque ficou desempregado.

Segundo a diretora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP, Tania Casado, a crença de Rodolfo é endossada por pesquisa. Elas indicam salários maiores para empregos de nível superior. Mas a professora faz uma ressalva: os estudos são feitos com quem já está trabalhando nesses cargos.

“Os dados são verdadeiros, só que é preciso lê-los corretamente. O fato de você fazer uma faculdade não significa que vai para um vaga desse tipo.”

Os motivos pelos quais Rodolfo escolheu engenharia também ajudam a explicar a concentração dos estudantes em seis áreas, que incluem saúde, direito e computação. São profissões tradicionais, teoricamente mais estáveis e bem pagas. Além disso, são as mais oferecidas pelas instituições privadas, responsáveis por 87,4% da educação superior no país.

“As pessoas vão para faculdades pagas, que têm cursos de menor custo, como Direito e Administração”, diz o professor Hélio Zylberstajn.

Eles são mais baratos porque não usam outros equipamentos a não ser a sala de aula. Cursos de Química, por exemplo, exigem laboratórios e substâncias controladas.

Outro fator para decisões tão parecidas seria a pouca idade com que os brasileiros escolhem uma profissão.

“É uma meninada de 17, 18 anos, que faz Administração porque o pai fez, ou porque acha legal ser CEO”, diz a professora Elisabete Adami, da PUC-SP.

Aceitar o que tiver

Com tantos professores, administradores e advogados no mercado, muita gente tem dificuldade de conseguir um bom cargo na sua área. Às vezes o jeito é aceitar vagas que pedem apenas ensino médio.

Quando Evelyn Maranhão se formou, em 2011, pensava que seria administradora de empresas. Cinco anos e muitas negativas depois, trabalha como assistente administrativa. Ela registra pedidos e lança horas-extras no sistema de uma empresa de manutenção predial.

“Achei que ia lidar com estatística, relatório, análises, e, na verdade, faço o que uma secretária faria. Imaginava que estaria na tomada de decisões.”

Há quem nem consiga exercer sua profissão.

Antes de cursar enfermagem, Vivian Oliveira trabalhava com eventos. Mesmo depois da formatura, continua organizando congressos, feiras e festas. Nesse meio tempo, diz, mandou incontáveis currículos, mas não foi chamada para entrevistas. Só foi contratada por uma clínica, onde ficou um ano.

“Até há vagas, mas como não tenho muita experiência, eles não chamam.”

Para a enfermeira, o fato de não ter estudado em uma universidade conceituada prejudicou sua trajetória “Se surgir uma posição no (hospital Albert) Einstein, vai entrar alguém de faculdade renomada. Vi que meus colegas buscam fazer pós em lugares reconhecidos, porque colocam esse nome no currículo.”

Faculdade renomada

A falta de experiência e a formação em instituições pouco prestigiadas são os principais empecilhos que os formandos enfrentam nos processos de seleção, diz Luciane Prazeres, coordenadora de Recursos Humanos da agência de empregos Luandre.

Prazeres relata que muitos profissionais chegam no mercado sem ter feito estágio porque precisavam trabalhar para pagar os estudos. E alguma experiência na área é sempre requisitada pelos empregadores.

“A maioria são recepcionistas, operadores de call center que buscam o oposto do que estão fazendo. Mas, se ele não sai do mercado para fazer estágio, é difícil conseguir uma oportunidade.”

Segundo ela, é comum que, ao abrir um posto, as empresas peçam candidatos formados em determinada universidade.

Professora na PUC-SP, Elisabete Adami diz notar essa diferença ao ver que seus alunos saem empregados do curso.

“Pega estudantes da PUC, da FGV, do Insper, da USP…eles não estão tão sem trabalho. O pessoal de faculdades de segunda linha não encontra espaço e vai ter que fazer uma pós para complementar a formação.”

Para Adami, houve uma proliferação de escolas com menos qualidade, que entregariam profissionais deficientes.

“Esses conglomerados pagam, em média, R$ 17 a hora-aula. Que tipo de professor você vai ter?”

No entanto, pondera, a estrutura ruim não é sempre sinônimo de profissionais mal-preparados. Só que, nesses ambientes, eles são mais frequentes do que em instituições de ponta.

“Sai gente boa, mas por conta própria, porque são esforçados.”

Entre uma graduação ruim e uma boa formação técnica, diz Adami, ela aposta na segunda.

“Essa mania de ser o primeiro da família a se formar é uma ilusão, mas é forte no Brasil. É algo secular. Na França e na Alemanha, você não tem esse percentual de jovens na universidade.”

Ensino técnico

O ensino técnico é citado pelos entrevistados como uma opção interessante.

Hélio Zylberstajn, da USP, diz que o ensino é negligenciado e faz falta para o país. O professor sugere que disciplinas ligadas ao ensino técnico sejam incluídas na grade curricular do ensino médio, e não em institutos, como acontece hoje.

“Estamos carentes de técnicos. No ensino médio, deveríamos formar mão de obra em cooperação com as empresas.”

Esse tipo de formação é uma possibilidade que deve ser analisada antes da decisão definitiva pelo ensino superior, diz Tania Casado, do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP.

“É preciso olhar para o lado e ver que há muitas posições não preenchidas, porque as pessoas não têm estudo específico. Os jovens precisam saber disso ao se lançarem em um curso.”

Se a escolha for pelo ensino superior, Casado diz que o estudante não deve conhecer apenas a profissão, mas as ocupações que ela abrange. Um graduado em Medicina, por exemplo, pode tornar-se um gestor de plano de saúde. Da mesma forma, alguém formado em Administração pode tornar-se um consultor.

Além de analisar as alternativas que o mercado oferece, aconselha a diretora, o candidato deve olhar para si e escolher algo com o que se identifique. Se depois quiser mudar de área, a transição não tem que ser dolorosa. Nem sempre uma nova faculdade é necessária, afirma. Às vezes uma especialização ou cursos livres são suficientes.

“Carreira é isto: olhar o entorno e se olhar, o tempo inteiro. E saber que, à medida que você vai evoluindo, pode haver outros interesses, o que é bom. É preciso se preparar para esses interesses, mas não necessariamente isso passa por uma graduação.”

FONTE: BBC Brasil
Ingrid Fagundez

Agência da ONU lança espaço virtual para troca de informações sobre alimentação e nutrição

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou no dia 29 de outubro de 2016 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um espaço virtual – clique aqui – para a troca de informações e experiências sobre alimentação e nutrição.

Resultado de uma parceria entre OPAS/OMS, Ministério da Saúde e o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição, da Universidade de Brasília (UnB), o portfólio da Rede de Alimentação e Nutrição do Sistema Único de Saúde (RedeNutri) foi apresentado durante o 24º Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN). O material faz parte da Biblioteca Virtual de Saúde, operada pelo Centro Latino Americano de Informação em Ciências da Saúde (BIREME).

Atualmente, a RedeNutri tem mais de 35 mil usuários, entre nutricionistas, estudantes, pesquisadores, professores, gestores e diversos outros profissionais do setor público e privado, além de organizações não governamentais.

A variedade de participantes tem qualificado debates e proposições da rede. Professores podem utilizar o espaço para indicar cursos online, exibir vídeos, analisar casos didáticos, enquanto os alunos têm acesso a diversas publicações recentes e gratuitas. Os gestores e outros profissionais também podem utilizar os recursos da RedeNutri para formação, atualização e educação permanente.

De acordo com a consultora de nutrição da OPAS/OMS no Brasil, Alice Medeiros, a participação é aberta, sendo necessário apenas um cadastro online. “Todos os participantes podem contribuir com a rede, compartilhando suas ideias por meio de textos, notícias, vídeos, relatos de experiências, fóruns, entre outras atividades. Uma equipe de moderação busca garantir que o debate seja sempre respeitoso, democrático e ético”, explicou Alice.

Acesse abaixo as publicações apresentadas pela OPAS/OMS durante o 24º Congresso Brasileiro de Nutrição:

Portofólio da RedeNutri

Perspectivas e desafios no cuidado às pessoas com obesidade no SUS: resultados do Laboratório de Inovação no manejo da obesidade nas Redes de Atenção à Saúde

Modelo de Perfil Nutricional da Organização Pan-Americana da Saúde

Plano de Ação para Prevenção da Obesidade em Crianças e Adolescentes

FONTE: ONU Brasil

Embrapa lança página temática sobre perdas e desperdício de alimentos

Para contribuir com as discussões e estudos sobre produção e consumo sustentáveis de alimentos, a Empresa Brasileira de pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou, como parte das ações do Dia Mundial da Alimentação, a página temática perdas e desperdício de alimentos. O novo hotsite reúne uma seleção de publicações, soluções tecnológicas e projetos sobre o tema e disponibiliza ainda vídeos e notícias sobre desperdício de alimentos e assuntos correlatos.

Desde 2013, quando o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lançaram a iniciativa Save Food, diversos países têm iniciado campanhas de promoção do consumo sustentável de alimentos ou estabelecido suas próprias metas de redução das perdas e desperdício de alimento. Mais recentemente, dentre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, destaca-se “Reduzir pela metade, até 2030, o desperdício de alimentos per capita mundial, nos níveis de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas de alimentos nas outras etapas da cadeia agroalimentar”.

A produção de alimentos no mundo, em relação ao período de 2005 a 2007, precisa aumentar 60% até 2050 para suprir a crescente demanda, resultante do crescimento da população no hemisfério sul, aumento do consumo nos países em desenvolvimento e mudanças nos padrões de consumo. A necessidade de maior produção gera maior pressão sobre recursos naturais escassos, como solo, água, energia e nutrientes (fósforo, potássio etc.) e deixa ainda mais nítido um problema social com elevado impacto ambiental: as perdas pós-colheita e o desperdício no final da cadeia de suprimentos.

Grande parte do ganho necessário para fazer frente a este desafio de aumentar a produção global de alimentos pode vir da redução do desperdício. As perdas e desperdício de alimentos são um entrave para “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”, segundo dos dezessete objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Para o pesquisador Gilmar Paulo Henz, da Secretaria de Inteligência e Macroestratégia da Embrapa, o desafio constante de aumento da oferta de alimentos pode ser compensado inteligentemente pela redução de perdas pós-colheita e do desperdício pelos consumidores.

“O aumento da produção agrícola e da produtividade impõe altos custos ambientais, além de comprometer a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares, razão pela qual é necessário aprimorar as práticas na cadeia de pós-colheita para reduzir efetivamente perdas. As recentes crises no fornecimento de água e energia em algumas regiões do Brasil, com aumento de tarifas, são uma indicação de que a sociedade precisa repensar seu padrão de consumo como um todo, inclusive dos alimentos. Medidas simples, como planejar as compras, dar preferência aos produtos locais e reduzir o desperdício doméstico, podem ter grande impacto na produção e disponibilidade dos alimentos”, enfatiza Henz.

As perdas no início da cadeia de alimento são mais comuns em países subdesenvolvidos, que lidam com baixo aporte tecnológico no manejo das lavouras, carência de estrutura para estocagem da produção e infraestrutura inadequada para escoamento das safras. Já em países de média e alta renda, a maior contribuição para o desperdício parte do consumidor. Porém, mesmo no contexto da classe média baixa, o desperdício pode ocorrer por fatores culturais, como o gosto pela abundância à mesa, compras excessivas, armazenamento inadequado do alimento ou mesmo desinteresse pelo consumo das sobras.

Dados recentes da FAO reforçam o tamanho do problema. O mundo descarta, aproximadamente, um terço do alimento produzido globalmente, o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas anuais. Em países como os Estados Unidos, Austrália e Inglaterra, que concentram a maior parte do desperdício no final da cadeia, o percentual descartado ultrapassa um terço da produção. Mesmo no contexto de países em desenvolvimento, o desperdício no âmbito do varejo e do consumidor é elevado. Nestes países, as perdas tendem a ser elevadas desde o manejo da lavoura e o pós-colheita.

A FAO estima que 28% dos alimentos que chegam ao final da cadeia de suprimentos em países latino-americanos são desperdiçados. Enquanto o Brasil, por exemplo, descarta mais do que o necessário para neutralizar a insegurança alimentar no País, apenas um quarto do desperdício agregado dos EUA e Europa é suficiente para alimentar as 795 milhões de pessoas que ainda passam fome no mundo.

Campanha

Embrapa, FAO e WWF-Brasil estão unindo esforços para promover o consumo sustentável de alimentos. Como parte da programação anual da FAO para o Dia Mundial da Alimentação, as três instituições estão lançando a campanha SemDesperdício. A iniciativa pretende apresentar aos consumidores as consequências negativas do desperdício de alimentos para o meio ambiente, o orçamento familiar e a segurança alimentar.

A cada ano a FAO estabelece um tema a ser discutido em todo o mundo. Para este ano, a Organização chama a atenção para as mudanças necessárias diante dos impactos gerados pelas mudanças climáticas — “O clima está mudando. A alimentação e a agricultura também devem mudar”.

FONTE: Embrapa
Gustavo Porpino – Jornalista
Telefone: (61) 3448-2093
E-mail: secom.imprensa@embrapa.br

Oferta de ensino superior a distância pode superar a de presencial em breve

Pesquisa prevê que EAD corresponda a 51% do mercado no país em 2023. Saiba quais são os principais desafios do setor. O ensino superior a distância (EAD) já representa 26% da educação superior no país. E, apesar de ainda despertar muitas dúvidas, não deve parar de crescer. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Sagah, empresa desenvolvedora de conteúdo e tecnologia para EAD.

“Os números revelam que o mercado cresceu muito nos últimos cinco anos. Um questionamento comum para quem atua no setor é se vai crescer ainda mais ou vai começar a diminuir. O que vemos é uma tendência real de crescimento. Primeiro, porque ainda existe um número pequeno de instituições que têm a permissão para ofertar cursos a distância no Brasil. Segundo, porque há uma demanda clara de pessoas que precisam de flexibilidade e preços mais baixos”, afirma Luiz Filipe Trivelato, diretor executivo da Sagah.

Segundo Trivelato, das 15 milhões de pessoas que estão fora da universidade no país, 67% só podem comprar educação superior no preço de EAD. A redução de vagas de programas como o FIES (Financiamento Estudantil do Governo Federal) faz a demanda por EAD crescer ainda mais, com a possibilidade de superar a oferta de cursos presenciais em alguns anos. O estudo prevê que, em 2023, o ensino superior a distância já corresponda a 51% do mercado.

“Se continuarmos no ritmo dos últimos cinco anos e as previsões de aumento de demanda apontadas na pesquisa se confirmarem, os cursos a distância já serão metade dos ofertados no país em 2020, podendo ultrapassar os presenciais nos anos seguintes”, confirma Trivelato.

A pesquisa apresenta uma amostra da região de Ipojuca (PE), onde 36 mil jovens têm o ensino médio completo, mas 64% só teriam como arcar com o curso superior de mensalidade até R$ 500. A existência de uma grande demanda se confirma quando se constata que no Brasil existem mais de 3.800 municípios com o mesmo perfil.

“A educação a distância não é um negócio social, pois a maioria das empresas de EAD têm fins lucrativos. Porém, não se pode ignorar que avançar no ensino superior é algo que é invariavelmente necessário”, avalia Trivelato.

Flexibilidade é ponto alto

Apesar dos preços de EAD serem mais acessíveis, esse não é o principal atrativo para o estudante escolher o curso. A pesquisa aponta que 61% consideram mais relevante o fato de poder estudar quando e onde quiser.

O perfil do aluno que opta pelo ensino superior a distância, traçado pela pesquisa, explica bem esse resultado, já que 41% têm entre 31 e 40 anos e 87% trabalham fora. Os hábitos dos estudantes também foram mapeados: 90% estudam de casa, 58% sozinhos e 62% à noite.

O uso de vídeoaulas foi apontado pelos alunos como um dos principais atributos para o curso de EAD.

Os desafios do mercado

Para Pavlos Dias, gerente de operações da Blackboard Brasil, uma das principais plataformas de ensino a distância, um dos maiores desafios ainda é a formação dos professores.

“As faculdades ainda preparam os professores para a educação presencial. É natural que ainda encontrem dificuldades como tutores e até na elaboração de conteúdos para cursos a distância”.

Sobre a desconfiança de alguns educadores a respeito das tecnologias substituírem o trabalho do professor, Pavlos garante que isso não acontece: apenas a maneira de trabalhar é diferente.

“O macro papel do professor continua o mesmo: ensinar, tutorar o aluno na busca do conhecimento e ajudá-lo a superar as barreiras. O cuidado com o aluno é igual, apenas a maneira de cuidar muda. Você não tem o olhar, mas você precisa ler esse aluno através da análise de dados que a tecnologia dispõe. Observar se o aluno está acessando o ambiente virtual ou usando o material disponível, por exemplo. Assim, pode-se resgatar um estudante que esteja em perfil de defasagem”, explica Pavlos.

O segundo maior desafio, segundo Luiz Filipe Trivelato, é migrar do preço para a qualidade.

“É um movimento que ainda irá acontecer no Brasil. Hoje é uma competição muito grande por quem vende mais barato, mas acho que ainda teremos uma competição por quem tem os melhores cursos”.

Ainda segundo ele, um grande desafio para o EAD no Brasil é encontrar um modelo.

“Ainda temos dilemas de modelo pedagógico em EAD que o Brasil deve superar com os anos. Não acredito que teremos um único método, mas acho que esses métodos terão que chegar a um lugar comum, com resultados mais eficientes”.

Para Trivelato, o preconceito com os cursos de EAD, em relação aos presenciais, é um ponto superado no mercado de trabalho.

“Há cinco anos atrás tínhamos o discurso do empregador ou do próprio aluno que não acreditavam no diploma de EAD. Socialmente não era bem aceito. Hoje, isso é um ponto superado. Os resultados dos alunos do ensino a distância são melhores ou comparáveis com os alunos de educação presencial”, garante.

Segundo ele, a legislação brasileira não permite distinção de diploma de EAD ou presencial, sem causar desvantagem no momento de uma contratação.

Inovações no EAD

Segundo Pavlos, a tecnologia de realidade aumentada será muito presente na educação a distância dentro de três a cinco anos.

“Não é algo novo do ponto de vista conceitual. Mas viabilizar é muito custoso. Só que esse custo está caindo vertiginosamente. Então, em breve, teremos laboratórios virtuais inteiros baseados em realidade aumentada a custos mais acessíveis para as instituições”, prevê.

Questionado sobre a possibilidade de se realizar um vestibular a distância no Brasil, Pavlos garante que já existem tecnologias para tornar isso possível.

“Temos métodos bem avançados no que se trata de segurança. Nos Estados Unidos já existem alunos que fazem provas de certificação dessa forma. Através de uma filmagem em tempo real se garante que é o próprio aluno quem está realizando o exame. São identificados possíveis momentos de evasão do aluno, quando ele tira o olhar da tela, pela máquina, e professores acompanham em tempo real”.

A pesquisa foi realizada em parceria com a Educa Insights no primeiro semestre de 2016 e foram ouvidas mais de duas mil pessoas entre alunos e candidatos dos cursos de EAD.

FONTE: Porvir
Anna Luiza Guimarães

Medida do governo sobre redução de vagas em faculdades gera polêmica: entenda o impacto da mudança

Uma portaria divulgada no dia 14 de outubro de 2016 pelo Ministério da Educação (MEC) gerou polêmica e reclamações nas redes sociais ao ser interpretada como uma medida que levaria à diminuição do número de vagas em universidades e faculdades públicas. A medida alterou o procedimento de redução de vagas de cursos de graduação ofertados por parte das instituições de ensino superior que integram o Sistema Federal de Ensino.

Consultado pela BBC Brasil, o MEC disse não se tratar de uma determinação de redução de vagas, mas de uma “desburocratização” da forma como isso pode ser feito por faculdades, ao conferir mais “racionalidade e celeridade” ao processo.

Hoje, faculdades representam 83,8% das 2364 instituições de ensino superior do país – o restante corresponde às universidades, centros universitários e institutos federais -, de acordo com censo de 2015 do setor elaborado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Segundo o ministério, o processo para redução de vagas existe desde 2006. Hoje, as faculdades – instituições de ensino superior de menor porte – solicitam um número determinado de vagas ao MEC. Mas, por falta de demanda, as vagas acabam não são preenchidas e acabam ficando ociosas.

Atualmente, as faculdades precisam protocolar um pedido de redução do número de vagas que consta junto ao MEC, que é concedido ou não. Com a mudança, agora só será necessário notificar o ministério sobre a redução, mas elas continuam obrigadas a “garantir as condições de atendimento aos atuais alunos”.

De acordo com o MEC, a Portaria Normativa n° 20, assinada no dia 13 de outubro pelo ministro Mendonça Filho, não afeta as universidades e centros universitários, sejam eles públicos ou privados, pois estas instituições já tinham autonomia para fazer a redução por conta própria.

Ao mesmo tempo, para que as faculdades voltem a ampliar o número de vagas, elas ainda precisam protocolar um pedido junto ao ministério e demonstrar que “mantêm as condições necessárias para atender um número maior de alunos”. Segundo o ministério, isso evita que haja um aumento irrestrito sem que a instituição seja capaz de atender seus alunos com a qualidade mínima exigida.

Processo longo

Luiz Cláudio Costa, ex-secretário-executivo do MEC durante o governo de Dilma Rousseff, entre 2014 e 2016, e ex-presidente do Inep, avalia a medida se tratar de uma medida “positiva”.

“Tudo na educação superior brasileira é muito grande e o que for feito no sentido de simplificar processos sem abrir mão de garantir a qualidade é interessante”, disse Costa à BBC Brasil.

“O que se está fazendo é reduzir um processo que era longo. Por causa da reduzida equipe técnica do ministério, esses pedidos podiam levar anos para serem avaliados.”

Costa aponta que isso permitirá dimensionar melhor o tamanho do ensino superior brasileiro, porque, em certos casos, as faculdades faziam pedidos de um número de vagas ao MEC, mas não conseguiam preenchê-las, porque a “demanda social” por elas se reduzia.

As instituições passavam, então, a não ofertá-las nos vestibulares, mas elas ainda constavam no sistema do ministério.

Segundo o censo de 2015, das 8,5 milhões de vagas ofertadas, 2,3 milhões ficaram como “remanescentes”, ou seja, não foram preenchidas. A maior parte destas vagas remanescentes está nas instituições privadas, que respondem por 7,7 milhões das vagas ofertadas e 2,1 milhões das remanescentes.

“Ao dimensionar melhor o ensino superior do país, se fará uma análise melhor do setor e saber exatamente o número de vagas existentes, quais são as disciplinas que têm maior demanda e as mais concorridas.” No entanto, o cientista político Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que reúne organizações da sociedade civil em prol da promoção da qualidade do ensino no país, faz ressalvas à medida.

“A portaria parece desburocratizar o processo, mas dá às instituições o poder de tomar decisões que podem ir contra o interesse da sociedade de ter um ensino superior que favoreça seu desenvolvimento”, afirma Cara.

Ele ressalta que as vagas podem estar ociosas não apenas por falta de demanda, mas porque o aluno não consegue pagar a faculdade ou não recebe a assistência necessária para se manter no curso.

“Essa mudança pode encobrir esses problemas e não permitir que haja o debate necessário para que estudante não apenas tenha acesso ao ensino superior, mas permaneça nele”, diz Cara.

“O modelo anterior chamava atenção para o número de vagas ociosas, mas, sem esse dado, não há como elevar o nível do debate e, por exemplo, discutir o que essas instituições podem fazer para preencher as vagas ociosas em vez de extinguí-las.”

FONTE: BBC Brasil
Rafael Barifouse

5 polêmicas sobre a nova reforma do Ensino Médio

Algumas idas e vindas por parte do governo, comemorações, críticas e muita polêmica. Esse foi o saldo das primeiras 24 horas após o governo do presidente Michel Temer anunciar uma reforma do Ensino Médio no país.
O anúncio oficial foi feito na tarde do dia 22 de setembro de 2016, quando o Ministério da Educação (MEC) divulgou um documento em que disciplinas que sempre figuraram nos boletins iriam passar a ser optativas: educação física, artes, filosofia e, sociologia.

Com a reforma, apenas Português, Matemática e Inglês devem ser obrigatórias para o fim do ciclo (atualmente são 13), enquanto as disciplinas restantes serão escolhidas pelo aluno ou pela escola dentre cinco áreas de ênfase: Linguagens, Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática e Formação técnico e profissional.

Até a tarde do dia 23, o governo havia anunciado mudanças técnicas e voltado atrás em um ponto, afirmando que, por ora, essas matérias seguiam sendo obrigatórias. Assim, a mudança pode passar a valer em 2017.

Apresentada como uma medida provisória (MP), a reformulação já entrou em vigor mas, na prática, não há efeitos reais, já que ainda será analisada pelo Congresso, e seu conteúdo pode ser alterado por meio de votações na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Sendo que esses procedimentos devem ocorrer em 120 dias, ou a MP deixa de ter valor legal.

A BBC Brasil listou as principais polêmicas geradas pelo anúncio da reforma – que atinge escolas públicas e privadas – e conversou com especialistas em educação com diferentes opiniões sobre o tema.

1. A “flexibilização” do currículo e as disciplinas que podem passar a ser optativas

O MEC acredita que ao permitir que alunos e escolas possam escolher o aprofundamento em algumas matérias vai colocar o currículo do ensino médio mais em sintonia com as necessidades do aluno. “Os jovens poderão escolher o currículo mais adaptado às suas vocações. Serão oferecidas opções curriculares e não mais imposições”, disse, no dia 22, o presidente Michel Temer.

O diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, concorda: “Com as atuais 13 disciplinas, a verdade é que o aluno vê tudo e não vê nada. Com a mudança, haverá mais direcionamento para o que ele quer seguir, para seus interesses. Precisamos de um currículo que dialogue com o mundo juvenil e que seja mais direcionado, em conformidade inclusive com o endereço do estudante.”

No entanto, o coordenador Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE), Daniel Cara, as medidas criam uma cortina de fumaça para o cerne do problema.

“Essa reforma é uma falácia, porque não resolve as questões estruturais, como a formação de professores e pontos que eram demandas dos estudantes que ocuparam as escolas, como a redução do número de alunos por classe. De nada adianta ênfase em exatas ou humanidades, se o professor for mal preparado, se não houver recurso”, afirma.

Além disso, ele questiona a flexibilização de algumas matérias: “Artes, educação física, filosofia ou sociologia têm de ser obrigatórias. Sem elas, não há formação completa de um cidadão.”

2. Carga horária ampliada

Segundo o plano proposto, gradualmente, as escolas passarão a ser integrais, passando a carga horária de 800 para 1.400 horas anuais. Assim, os alunos passarão a ficar 7 horas por dia na aula.

Defensores da ampliação da duração das aulas afirmam que ela é eficiente quando embasada um projeto pedagógico sólido. Pernambuco, por exemplo, vem investindo na educação em período integral aliada a outras apostas, e obteve melhora nos índices educacionais.

Mas, na opinião de Daniel, de nada adianta ampliar a quantidade de horas, sem qualidade. “Uma carga horária de 5 horas ruim – como já acontece – fica ainda pior se for de sete horas. Haverá um desinteresse ainda maior por parte dos alunos, especialmente ao se tirar as disciplinas que eles tendem a gostar, como educação física e artes.”

O governo reiterou que essa mudança será bastante lenta e gradual e que não há metas para a essa implementação.

3. Medida Provisória: ação necessária ou “canetada”?

O fato de as reformas terem sido feitas via MP foi outro ponto polêmico: de um lado, há quem acredite que os péssimos índices no Ensino Médio exigiam uma medida urgente, enquanto, de outro, há a defesa de uma mudança dessas exige um debate maior.

“Na prática, a MP foi uma maneira para colocar em prática o projeto de lei (PL 6840) que tramita desde 2013. Se esperássemos, esse projeto poderia ser implementado só em 2019. Já houve debate demais, já esperamos tempo demais”, afirma Mozart, do Instituto Ayrton Senna.

Já na opinião de Daniel, a MP foi uma “canetada perigosa”.

“Em nenhum lugar do mundo, uma reforma dessa envergadura é colocada em prática dessa forma. Na Austrália se levou dois anos, na Finlândia, 10. É preciso um debate sério, é preciso ouvir professores e alunos. A MP é autoritária, permitindo que o Executivo aja como um superlegislador. Houve pressa para atender a demandas de grupos educacionais.”

4. Primeiro passo ou confusão e despreparo?

As idas e vindas por parte do governo e a falta de detalhamento em fatores como quando exatamente as medidas devem de fato entrar em vigor e quem vai bancá-las provocou polêmica entre os especialistas.

“É preciso ter em mente que a MP é apenas um primeiro passo. Agora, precisamos ficar atento para os próximos, especialmente a articulação com os estados, algo muito desafiador”, afirma Mozart. “É claro que o MEC falhou, podia ter divulgado um documento melhor, mas claro. Mas é uma reforma promissora, estou otimista.”

Daniel, no entanto, afirma que as idas e vindas do governo em apenas um dia mostra a “fragilidade total da reforma”.

Uma outra potencial confusão apontada por analistas está no fato de as escolas não serem obrigadas a oferecer as cinco ênfases previstas. Movimentos estudantis já estão questionando esse ponto – entre outros – já que ele poderia obrigar um aluno que quer se focar em Linguagens, por exemplo, a mudar de escola, caso a sua não ofereça essa ênfase. Para os alunos, isso poderia levar a um entrave semelhante aos problemas que enfrentaram no ano passado, com a proposta reorganização da rede.

5. Como exatamente as alterações serão financiadas e em qual prazo?

O MEC nega que as mudanças implicarão em mais gastos para os Estados, afirmando que o grosso dos recursos para se colocar em prática as mudanças será repassado pelo próprio Ministério.

“Basta olhar de perto para ver que não vai ter dinheiro para implementar mudanças como a da carga horária, especialmente quando se olha o que está sendo proposto na PEC 241, que limita os gastos nessa área”, afirma Daniel, em referência à Proposta de Emenda à Constituição trata da limitação dos gastos públicos, integrando as novas medidas econômicas do governo de Michel Temer, inclusive no setor educacional.

Na rede privada, representantes já disseram que haverá aumento na mensalidade para se bancar mais horas/aulas, por exemplo.

Até o momento, está claro que apesar de a MP ter efeito imediato, as medidas devem ser debatidas e estarem definidas “em meados de 2017”, segundo o governo. Assim, devem entrar em vigor de fato no ano letivo de 2018.

FONTE: BBC Brasil
Mariana Della Barba

“Sem dinheiro, produção científica vai cair”, diz especialista

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A produção científica das universidades brasileiras deve começar a cair nos próximos anos como resultado dos recentes cortes no orçamento para ciência. Quem diz isso é Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que participou de transmissão da TV Folha sobre o RUF (Ranking Universitário Folha) ao lado de Solon Caldas, diretor da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes). Para se ter uma ideia, o orçamento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação hoje é, em valores corrigidos, 52% menor do que em 2010. O governo tem cortado recursos para pesquisa, para equipamentos e bolsas de pesquisa. “Não vai dar para manter o ritmo.” A produção científica vale 42% da nota das universidades no RUF, ao lado dos indicadores de ensino (32%), internacionalização (4%), mercado (18%) e inovação (4%). De acordo com Caldas, as universidades particulares recebem menos dinheiro do que as públicas para fazerem pesquisa. Publicado desde 2012, o RUF faz uma avaliação das 195 universidades brasileiras e também traz a classificação dos 40 cursos com maior demanda do país, como medicina e administração, oferecidos por universidades, centros universitários e faculdades. Leia mais sobre o RUF aqui: http://ruf.folha.uol.com.br/2016/.

FONTE: TV Folha