Pós-graduação em Justiça Social, Criminalidade e Direitos Humanos

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A Câmara, o Senado e o TCU vão oferecer uma pós-graduação em Justiça Social, Criminalidade e Direitos Humanos. O curso é uma parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Fonte: Câmara dos Deputados

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Pronatec oferece 575 mil vagas em cursos

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Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) oferece 575 mil vagas gratuitas em cursos presenciais e a distância em diversas áreas. Inscrições terminam em 18 de agosto.

Fonte: TV NBR

Criação de bovinos – Pastagens

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Aprenda passo a passo como ocorrem a elaboração, a implementação e a condução de um projeto para produção animal em pasto.

Fonte: Canal Rural

Criação de bovinos – Reprodução

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Nesta edição você vai aprender quais são as características reprodutivas do animal, os fatores que afetam a fertilidade e como otimizar a sua produção.

Fonte: Canal Rural

Cresce procura por qualificação no meio rural

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A tradição do agronegócio é muito importante em Goiás, mas o melhor é que as pessoas que trabalham com isso têm buscado qualificação para que obtenham ainda mais resultados positivos.

Fonte: PUC TV Goiás

Curso de Mestrado Profissional em Agronegócio

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Coordenador do GVAgro, Professor Roberto Rodrigues, fala sobre o agronegócio e o curso de Mestrado Profissional em Agronegócio da FGV EESP.

Fonte: FGV

Curso de formação em cafeicultura

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O Senar Minas desenvolve programa de qualificação profissional em mecanização do café da mão de obra rural. Confira.

Fonte: TVU Lavras

Cresce participação feminina em carreiras de exatas

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Os estereótipos de gênero nas profissões estão diminuindo. Cada vez mais as mulheres estão presentes em cursos que antes eram dominados pelos homens. Confira na reportagem.

FONTE: TV Câmara São Paulo

Saiba quais produtos devem ou não ficar na geladeira

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Quem tem mais idade deve se lembrar que, antes, os recursos pra conservar alimentos eram diferentes. Gordura e sal eram muito utilizados. Hoje, os aparelhos de refrigeração são o principal meio pra manter os alimentos em bom estado. Mas é bom saber que nem todo tipo de produto está bem guardado na geladeira.

FONTE: TV Canção Nova

Ranking aponta UEL como a 4ª melhor universidade estadual do país

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Universidade Estadual de Londrina (UEL) manteve sua posição de melhor universidade estadual do Paraná e 4ª melhor estadual do Brasil, segundo o Índice Geral de Cursos, o IGC. O IGC é divulgado anualmente pelo MEC, imediatamente após a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). O objetivo do índice é conhecer o desempenho das instituições.

FONTE: TV UEL

Mais de 11% das universidades apresentam resultado insatisfatório

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Dados divulgados no dia 8 de março de 2017 pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que a qualidade dos cursos nas universidades do país é ruim. Em uma escala de 1 a 5, apenas 1% tirou nota máxima. Isso sem contar que mais de 11% não tiveram resultados satisfatórios.

FONTE: Jornalismo SBT

7 em cada 10 estudantes de cursos técnicos conseguem emprego logo depois de formados

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7 em cada 10 estudantes de cursos técnicos conseguem emprego logo depois de formados. E a explicação para este bom índice é simples: o mercado precisa de profissionais qualificados. Confira na reportagem.

FONTE: TV Brasil

UFV/Florestal comemora dez anos

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A implantação dos cursos de graduação ministrados na Instituição, que antes oferecia apenas cursos técnicos e de ensino médio estadual e federal. A partir de 2006, tiveram início os cursos de graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (hoje Ciência da Computação) e Gestão Ambiental, seguidos mais recentemente pelos cursos de Administração, Agronomia, Ciências Biológicas, Educação Física, Engenharia de Alimentos, Física, Matemática e Química.

FONTE: Universidade Federal de Viçosa

Senar abre inscrições para novas vagas no Projeto ABC Cerrado

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) inicia o ano com uma novidade para o produtor que deseja adotar tecnologias de baixa emissão de carbono na sua propriedade. O Projeto ABC Cerrado está com inscrições abertas para 4,2 mil novas vagas de capacitação nas tecnologias Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), Sistema Plantio Direto, Recuperação de Pastagens Degradadas e Florestas Plantadas nos estados da Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Tocantins, Maranhão e Piauí, além de 400 vagas para Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em cinco dos oito estados participantes.

O projeto é desenvolvido em parceria com a Embrapa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) com recursos do Banco Mundial. As vagas são limitadas e a inscrição pode ser feita no portal do Senar – www.senar.org.br.

O produtor interessado em participar do ABC Cerrado precisa ter mais de 18 anos, ensino fundamental incompleto (escolaridade mínima) e uma propriedade entre 4 e 70 módulos fiscais dentro dos municípios que compõem o Bioma Cerrado. Segundo a coordenadora de Projetos e Programas Especiais do Senar, Janei Cristina Resende, o produtor que tem abaixo de 4 módulos também pode participar, porém, precisa estar inserido em critérios específicos. “Nesse caso, a renda bruta anual da propriedade tem que ser superior a R$ 360 mil ou a mão de obra contratada ser superior a mão de obra familiar”,” explica.

Janei Cristina destaca ainda a importância da participação no projeto do dono ou do gerente da propriedade. “Precisamos que esse participante seja um tomador de decisões dentro da propriedade. As intervenções que serão realizadas durante o projeto irão promover a adoção de tecnologias na propriedade, então, decidir pela adoção é um papel do proprietário ou do gerente.”

As tecnologias de baixa emissão de carbono não trazem benefícios apenas para a propriedade que faz a adoção, mas para a comunidade como um todo, assegura Janei. “Os benefícios são sociais, ambientais e econômicos, como aproveitamento da mão de obra o ano inteiro, reestruturação física do solo e aumento no teor de matéria orgânica, valorização da terra e aumento na produtividade”, exemplifica.

Em 2016 mais de três mil produtores foram capacitados pelo projeto e 1,5 mil propriedades receberam ATeG do Senar.

Para saber mais sobre o Projeto ABC Cerrado, acesse o blog ABC no Senar: www.senar.org.br/abcsenar.

FONTE: Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
Assessoria de Comunicação do Senar
Telefone: (61) 2109-4128

Setor agropecuário atrai investimentos de jovens catarinenses

Jovens catarinenses voltam a viver no meio rural e investem no setor agropecuário. Em Santa Catarina, com oportunidades de renda e qualidade de vida, filhos de agricultores escolhem permanecer no meio rural e dar continuidade ao trabalho dos pais. Foi justamente o que aconteceu com Marli Brand, agricultora de São Bento do Sul, que decidiu trabalhar com bovinocultura de leite e morar no interior. A decisão foi tomada há dois anos, após participar do Curso de Liderança, Gestão e Empreendedorismo, oferecido gratuitamente pelo Programa SC Rural.

Durante os cursos, os jovens conhecem novas tecnologias e desenvolvem iniciativas que agregam valor aos produtos da agricultura familiar. Após a formação, Marli elaborou um projeto de investimento e recebeu apoio financeiro do SC Rural para construção de uma sala de ordenha e aquisição de equipamentos.

O objetivo do projeto foi melhorar a ergonomia no trabalho, a qualidade do leite e o conforto dos animais, além de dar um destino correto aos dejetos. A construção está em ritmo intenso e a expectativa é de que tudo fique pronto em três meses. “Foram quatro gerações trabalhando no mesmo local. Já está na hora de trocar de local e modernizar a atividade”, ressalta Marli.

O próximo passo da família Brand é explorar a produção de leite à base de pasto. Para isso, o plantio de forrageiras perenes de verão está em curso, além da divisão dos piquetes, que terão água e sombra para os animais. Marli também quer implantar o melhoramento genético do rebanho. “O jovem quer permanecer no campo, mas hoje, sem usar tecnologia, maximizar os lucros e racionalizar o trabalho, a atividade não motiva ninguém a continuar. As ferramentas existem, basta ter disposição para usá-las”, destaca o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) em São Bento do Sul, Rogério Pietrzacka.

Curso de Liderança, Gestão e Empreendedorismo

A formação de jovens agricultores é uma ação do Programa SC Rural e objetiva estimular a liderança, desenvolver iniciativas, oportunizar a inserção do jovem no mundo digital e nas redes sociais, além de consolidar a consciência ambiental nos processos produtivos, no lazer e na cultura local.

Desde 2013 já foram ministrados mais de 25 cursos em 13 Centros de Treinamentos da Epagri, alcançando jovens oriundos das 27 regiões do Estado. Os cursos variam de oito a dez semanas e as aulas são em esquema de alternância, que preconiza etapas que mesclam teoria e prática. Os jovens elegem uma temática de acordo com seu interesse, com o objetivo de despertar o seu potencial empreendedor.

Após a formação, os alunos elaboram projetos de investimentos individuais ou comunitários e as melhores propostas são selecionadas e recebem apoio financeiro do SC Rural para serem executadas, com contrapartida do agricultor. Já são mais de 500 jovens beneficiados com recursos para investimentos em mais de 450 projetos de melhoria de processo produtivo, agregação de valor, turismo rural, entre outros. Os recursos já passam dos R$ 8 milhões, com mais de R$ 5 milhões repassados pelo Programa SC Rural.

Programa SC Rural

O Programa SC Rural nasceu em 2011 e termina em junho de 2017, é executado pelo Governo do Estado em parceria com o Banco Mundial e destina recursos não reembolsáveis a empreendimentos da agricultura familiar, mediante contrapartida dos beneficiários. Os empreendimentos apoiados abrangem atividades agrícolas ou não agrícolas (como o turismo rural) por meio de projetos de caráter estruturante, de melhorias de sistemas produtivos ou planos de negócios, além de outras ações implementadas por cooperativas e associações de agricultores familiares.

O SC Rural é coordenado pela Secretaria da Agricultura e da Pesca e, por envolver atividades multissetoriais, é executado por diversas instituições: Epagri, Cidasc, Fatma, Polícia Militar Ambiental, Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes, Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Secretaria de Infraestrutura.

FONTE: Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
Ana Ceron e Cinthia Andruchak Freitas – Jornalistas
Telefone: (48) 3665-5147 e (48) 3664-4417

Cursos gratuitos da USP estão disponíveis em plataformas on-line

Não é preciso passar no vestibular da Fuvest ou mesmo sair de casa para ter acesso a parte do conhecimento gerado na Universidade de São Paulo (USP). Acompanhando a popularização dos cursos on-line de instituições mundialmente conhecidas, como Harvard e Princeton, a maior universidade do País não ficou de fora e vem trabalhando para disponibilizar a cada vez mais pessoas — e não apenas seus alunos — cursos das mais variadas áreas do conhecimento.

Com propostas e conteúdos diferentes, a USP está presente em três ambientes virtuais de aprendizagem, além de alimentar um projeto próprio, chamado e-Aulas. Conheça um pouco mais as iniciativas:

Coursera

https://pt.coursera.org/usp

Uma das principais plataformas de cursos on-line do planeta, o Coursera surgiu em 2012 por iniciativa de dois professores de Stanford, uma das mais importantes universidades do mundo. Fundamentado no sistema MOOC (em tradução literal, Curso On-line Aberto e Massivo), o site americano tem como objetivo “proporcionar acesso universal à melhor educação do mundo”.

Atualmente, os mais de cem parceiros do site oferecem quase 2 mil cursos gratuitos em todas as áreas do conhecimento. Se o aluno desejar, é possível pagar uma taxa para obtenção de certificado. No Brasil, o Insper, a Fundação Lemann, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), a Universidade Esradual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de São Paulo (USP) são as instituições que oferecem cursos pela plataforma.

No Coursera, a USP disponibiliza dois cursos no momento: Introdução à Ciência da Computação com Python e Origens da Vida no Contexto Cósmico.

O primeiro é ministrado pelo professor Fabio Kon, do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. Com duração de oito semanas, o curso é destinado a iniciantes na área e demanda de três a quatro horas de dedicação semanal.

O segundo tem como objetivo “apresentar os mais recentes avanços científicos na compreensão deste intrigante assunto” e conta com professores e pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, além de doutores de outras áreas. Para concluir o curso, o aluno deve dedicar de uma a duas horas em cada umas das quatro semanas de duração.

Veduca

http://www.veduca.com.br/cursos

Desde o início da popularização dos sites estrangeiros de cursos on-line, os internautas do Brasil constavam entre os maiores frequentadores. Em março de 2012, o Veduca surgiu por iniciativa de quatro sócios-fundadores brasileiros. Desde então, a plataforma de e-learning ultrapassou a marca de 1 milhão de usuários cadastrados e atualmente disponibiliza mais de 200 cursos em 21 áreas de conhecimento.

Entre as mais de 20 universidades e instituições que oferecem o conteúdo estão o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a Universidade de Oxford, a BM&FBOVESPA, a Google, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi) e a USP. O site também funciona no modelo freemium, onde os cursos são gratuitos e os certificados, em geral, são pagos.

Na plataforma nacional, a USP oferece atualmente 27 cursos em temas como direito, economia, geografia, ciências, história e política. Entre os destaques, está o curso de Física Básica, ministrado pelo professor Vanderlei Salvador Bagnato, do Instituto de Física de São Carlos. No Veduca, a USP também disponibiliza cursos como Ciência Política: Qualidade da Democracia, Medicina do Sono e Gestão de Projetos.

Univesp TV

http://univesptv.cmais.com.br/cursos

Uma das ferramentas da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), a plataforma Univesp TV também conta com videoaulas da USP. Dentre os mais de dez cursos disponibilizados estão incluídas disciplinas dos institutos da Universidade, como História do Brasil Colonial I, Introdução à Bioquímica e Cálculo II e IV.

O principal destaque da USP na plataforma são os cursos de Astronomia: Uma Visão Geral I e II. Disciplinas contidas na grade obrigatória dos estudantes de astronomia do IAG, as videoaulas já foram recomendadas por mais de 6.500 pessoas no site da Univesp TV e o primeiro vídeo do curso já foi assistido por cerca de 200 mil pessoas no Youtube.

e-Aulas

http://eaulas.usp.br

Inspirada em modelos adotados por universidades de grande porte, a USP também possui uma plataforma própria de videoaulas. O e-Aulas, inaugurado em 31 de maio de 2012, contém mais de 1.317 horas de vídeos nas áreas de exatas, humanas e biológicas.

Todo o conteúdo do portal é gratuito e aberto para a população em geral, e, além disso, qualquer professor da USP pode disponibilizar suas aulas, cursos e palestras na plataforma. Segundo o site do e-Aulas, o projeto representa “o reconhecimento por parte da Universidade de que uma de suas funções é a disseminação do conhecimento”.

FONTE: Jornal da USP
Rafael Oliveira – Jornalista

Curso de pós-graduação da PUC Minas de Raças Marchadoras

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Representantes da PUC Minas e da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) se reuniram para discutir detalhes do curso de Pós-Graduação de Equideocultura sobre raças Marchadoras. A especialização inédita no país busca aprimorar o conhecimento de profissionais da área de equídeos. Mais informações, pelo fone (31) 3319-4444 ou clique aqui.

FONTE: MMarchadorTV

“PEC do teto dos gastos trará danos graves à educação”

Para a diretora global de Educação do Banco Mundial, congelamento de investimentos no ensino será um “desastre” para as novas gerações e comprometerá a produtividade dos futuros trabalhadores no Brasil.

O Senado Federal vota hoje (13/12/16), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, conhecida como PEC do teto dos gastos públicos. Elaborada como uma tentativa de conter a crise econômica, a proposta fixa um limite para os gastos do governo pelos próximos 20 anos. No primeiro turno, realizado no final de novembro, os senadores aprovaram a proposta por 61 votos favoráveis e 14 contrários.

Se a PEC 55 for aprovada, a partir de 2018 os investimentos mínimos para educação e saúde deixam de crescer proporcionalmente à receita do país e passam a ficar congelados — corrigidos apenas pela inflação do ano anterior. Como se trata de um piso, e não de um teto, é possível, na teoria, que a União invista mais que o mínimo estipulado. Mas como as outras áreas estarão com seus orçamentos limitados, é improvável que sobre dinheiro para gastos extras com educação e saúde.

Em entrevista à DW Brasil, Claudia Costin, diretora global de Educação do Banco Mundial, afirma que os impactos da PEC 55 serão danosos às futuras gerações de alunos. “O Brasil continuará com o desastre educacional que tem hoje.”

Claudia já foi secretária de Educação da cidade do Rio de Janeiro, de Cultura do estado de São Paulo e ministra da Administração e Reforma do governo de Fernando Henrique Cardoso. Hoje, vive nos Estados Unidos, onde leciona na Faculdade de Educação de Harvard. Segundo ela, é imprescindível que o Brasil invista mais nos salários e na formação dos professores para aumentar a produtividade dos novos trabalhadores brasileiros.

“Se não conseguirmos avançar nessas medidas, estaremos condenados a uma educação de baixa qualidade, e o Brasil não vai conseguir crescer economicamente. O país será uma promessa falida”, afirma Claudia.

DW Brasil: Como a senhora avalia os impactos da PEC 55 para a educação?

Claudia Costin: Estamos com um problema sério e de longo prazo. Acredito que a PEC 55 vai trazer danos graves para a educação, sem ganhos significativos do ponto de vista fiscal. Não sou contra medidas de austeridade. Houve uma gestão irresponsável das contas fiscais, gastando-se mais do que se podia. Mas na tentativa de correção do problema, é fundamental preservar a educação. Normalmente, quando países têm problemas fiscais, ao menos os mais desenvolvidos, eles preservam a educação dos cortes. O Brasil optou por não fazer isso. É uma grande pena.

Qual será o ponto mais prejudicado pelas novas regras para investimentos em educação?

Muitos olham para os números e dizem que o Brasil já gasta muito com educação. Isso não é verdade. Países que deram saltos na qualidade da educação tiveram de aumentar os investimentos durante um certo período. Não estamos fazendo o mesmo. Pelo contrário.

Hoje, não investimos o suficiente no ensino básico e pagamos mal os professores. Acredito que o mais complicado será lidar com a questão da atratividade da profissão de professor, que vai continuar baixa pelos próximos 20 anos. Caso não se estabeleça um mecanismo de revisão logo (antes dos dez anos previstos pela proposta), o Brasil vai continuar com o desastre educacional que tem hoje.

Quais serão as consequências de não se adotar esses investimentos?

O impacto direto é condenar o Brasil a uma baixa qualidade da educação das crianças por um período de 20 anos. Nenhum sistema educacional é melhor que a qualidade de seus professores. Melhorar o salário do professor é uma das medidas mais importantes para aumentar a atratividade da licenciatura, para aqueles jovens que ainda vão escolher que profissão seguir. Pesquisas mostram que os piores alunos tendem a escolher profissões de baixa atratividade. Corrigir esses salários demanda um esforço importante, constante e progressivo. Ao congelarmos os gastos por 20 anos, isso não poderá ser feito. Não é a única medida para melhorar a educação, mas é uma das mais importantes.

O que pode ser feito para melhorar a educação no país, independentemente da quantidade de recursos investidos?

O ideal seria, pelo menos, aprovar revisões dos valores dos investimentos antes dos dez anos — como prevê a PEC 55. Mas mesmo se isso não passar, será preciso mudar a universidade que forma os professores. Tornar a faculdade de educação e a licenciatura mais profissionalizantes, preparar melhor os universitários para a profissão de professor. Também temos de pensar na criação de um processo de ensino mais adequado para os jovens e adotar um currículo nacional comum (a base nacional curricular comum já está em processo de elaboração pelo governo), que defina claramente as expectativas de aprendizagem dos alunos brasileiros. É preciso que este currículo seja muito mais adequado para as demandas do século 21: que forme jovens que saibam pensar, aplicar conceitos em situações reais, ler e interpretar textos de forma analítica. Tudo isso demanda um professor mais bem preparado. É um esforço que temos de fazer independentemente da PEC do teto dos gastos públicos.

Em que sentido é preciso melhorar a formação dos professores?

Hoje, a formação dos professores é excessivamente focada nos fundamentos da educação, como sociologia da educação, história da educação, filosofia da educação. Os currículos das universidades que formam professores trabalham muito pouco com a prática. Os cursos de Engenharia e Medicina, por exemplo, preparam o futuro engenheiro ou médico com uma abordagem prática e reflexão sobre a prática muito maior. Em educação, isso não acontece. É urgente mudar os currículos de formação de professores pelas universidades e os concursos públicos das secretarias municipais e estaduais de educação para selecionar professores que, durante sua formação, tenham desenvolvido sua competência de ensinar de forma mais prática, com maior enfoque na didática.

Caso essas mudanças não sejam adotadas, como a senhora vê o país daqui a 20 anos?

Vejo o país estagnado. Uma das questões mais preocupantes que observamos na economia brasileira é a da produtividade, que está estagnada em um patamar muito baixo. Com uma produtividade baixa, e ela tem uma correlação importante com a qualidade da educação e o crescimento econômico de longo prazo, não vamos crescer. Com menos investimentos em educação, não vamos conseguir preparar os jovens para o futuro do mercado de trabalho. Hoje, vários cargos que demandam atividades manuais e intelectuais rotineiras estão se tornando obsoletos e desaparecendo por causa da automação do trabalho. O que está sendo cada vez mais valorizado no mercado é a capacidade de criação, concepção, reflexão crítica, comunicação. E essas habilidades dependem de uma educação mais sofisticada e de melhor qualidade. Se não conseguirmos avançar nessas medidas, estaremos condenados a uma educação de baixa qualidade, e o Brasil não vai conseguir crescer economicamente. O país será uma promessa falida.

O que garante o crescimento econômico de longo prazo, especialmente inclusivo, que diminua a desigualdade, é a educação de qualidade. Se o Brasil colocar no seu projeto de nação a educação como um eixo estruturador, e investir nela, poderemos ser um país diferente.

A senhora conhece outros países que já adotaram medidas semelhantes ao que a PEC 55 propõe para a educação?

Não. No Brasil, quem usa os serviços de educação e saúde públicas são, em geral, as pessoas mais pobres. A classe média frequenta pouco as escolas públicas e os serviços de saúde do governo. Num país tão desigual como o nosso, estaremos atingindo os mais pobres. Com certeza, há outras formas de cortar gastos sem prejudicar investimentos em educação e saúde.

Em oposição à PEC 55 e à Medida Provisória da reforma do Ensino Médio (que, entre outros pontos, diminui a quantidade de disciplinas obrigatórias da grade curricular), milhares de estudantes ocuparam escolas de todo o país. Como a senhora avalia este movimento estudantil?

Durante muito tempo, o sistema educacional brasileiro tratou os jovens de forma um pouco infantilizada, como se não pudessem ser protagonistas de sua própria vida escolar. Na Finlândia, por exemplo [país com desempenho educacional excelente], as escolas não chamam os pais para discutir comportamento de alunos de Ensino Médio. Eles chamam o próprio aluno. O estudante tem de perceber que a educação dele depende do seu protagonismo. Ele é o principal ator na construção dos seus sonhos e na sua vida escolar. Quem vai sair perdendo se a qualidade da educação ficar congelada ou se deteriorar ainda mais vai ser justamente esta geração.

Por isso, vejo esse movimento estudantil de forma positiva, embora eu concorde que o ensino médio brasileiro, com uma média de quatro horas de aula por dia e 13 disciplinas, está insustentável. Precisamos criar trilhas diferentes de educação, em que o aluno possa escolher disciplinas e não cursar durante os três anos as 13, ou 15 em alguns estados, matérias obrigatórias. Se olharmos para os 30 primeiros países no ranking do Pisa, nenhum deles têm mais de seis matérias, e todos têm carga horária maior que quatro horas de aula por dia. É uma pena que a reforma tenha sido proposta por medida provisória, mas ao meu ver ela é necessária.

O Brasil obteve resultados ruins no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2015, ocupando a 59ª posição em leitura, 63ª em ciências e 66ª em matemática, de um total de 70 países avaliados. Por que o desempenho brasileiro foi tão fraco?

O Brasil está estagnado há várias edições do ranking. O Pisa enfatiza a área de ciências, de letramento científico. Em primeiro lugar, estamos com professores muito mal formados para sua função. A universidade não prepara adequadamente professores no Brasil. Um professor de química, por exemplo, tem em média três anos e meio de aulas de química e um ano, ou menos, de aulas de fundamentos da educação. Mas não aprende a didática da química, ele não aprende a ensinar os alunos a pensar cientificamente. A prova Pisa pede exatamente esta competência: aplicar conceitos científicos para resolver problemas do dia a dia. Os nossos professores não estão sendo preparados para isso. Além disso, dada a baixa atratividade da carreira, considerando os salários, condições e perspectivas, os melhores alunos do ensino médio não escolhem tornar-se professores. E mesmo os que já estão na faculdade de Química, Física e Biologia, por exemplo, na hora de fazer a licenciatura, optam apenas pelo bacharelado, porque o mercado paga muito mais que a sala de aula. A somatória das duas coisas, a baixa preparação da universidade e os salários reduzidos, explica boa parte do problema.

FONTE: Deutsche Welle
Nathalia Tavolieri

Uso de tecnologias é o que gera riqueza no meio rural

Não é mais a posse da terra nem o tamanho da fazenda o que diferencia fazendeiros pobres e ricos. Hoje, o que gera mais riqueza, e a concentra nas mãos de uma minoria dos fazendeiros, é a maior capacidade que esses fazendeiros têm de usar bem as tecnologias agrícolas disponíveis. A conclusão é do estudo sobre concentração da renda agrícola feito com base nos dados do Censo de 2006.

Os pesquisadores calcularam o que chamam de “função de produção”, para saber que influência teria, separadamente, a terra, o trabalho e conjunto de insumos tecnológicos (fertilizantes, defensivos, rações, energia, máquinas, etc.), no crescimento da renda bruta dos fazendeiros e, assim, ter uma idéia sobre o que influenciou na concentração da renda bruta observada entre os agricultores brasileiros.

Eles usaram as informações de 74 mil produtores, escolhidos ao acaso, e encontraram que, para cada 100% de aumento na renda bruta, o incremento no uso de insumos tecnológicos contribuiu com 67,86% desse aumento da renda. O aumento de trabalho contribuiu com 22,81% e o aumento da área explorada contribuiu com apenas 9,3% para o aumento da renda.

Isto equivale a dizer que se um produtor, que explora 10 hectares com uma renda de R$ 10 mil, resolver dobrar a área explorada e, em decorrência, dobrar a quantidade de trabalho, ele vai conseguir aumentar a sua renda em apenas 32,14% (9,3%, por conta da área, mais 22,81%, por conta do trabalho a mais), ou seja, em R$ 3.214,00. Para dobrar a renda, ele terá que dobrar também quantidade de insumos tecnológicos aplicados, nos mesmos 10 hectares, o que aumentará sua renda em mais R$ 6.786,00, totalizando os R$ 10 mil.

Para verificar, na realidade, o que aconteceu com todos os produtores analisados, os pesquisadores calcularam o rendimento obtido em cada hectare pelos produtores, nas diferentes classes de renda, conforme a tabela abaixo. Com os dados de renda bruta das fazendas, da área explorada e do rendimento, os pesquisadores conseguiram avaliar o que contribuiu mais (em percentagem, em vermelho) para a renda dos produtores, se a área explorada ou se o rendimento/uso de tecnologias.

O rendimento, que é a renda bruta dividida pela área explorada em cada fazenda, é uma medida de produtividade, pois informa quantos reais cada hectare produziu. É também uma forma de sinalizar, de maneira agregada, por hectare, o nível do uso de tecnologias em várias fazendas: já que não se podem somar toneladas de grãos, com litros de leite e metros cúbicos de madeira, por exemplo, é possível somar a renda dos grãos, com a renda do leite e a da madeira.

Os dados da tabela mostram que o rendimento — ou seja, a produção, ou seja, o nível do uso de insumos — cresceu do grupo de produtores de menor renda mensal (de 0 a 2 salários mínimos) para o de maior renda (mais de 200 salários mínimos). A área das fazendas também cresce na mesma direção.

Os cálculos mostram que, nas três primeiras classes de renda (até 200 salários mínimos) a renda bruta/hectare (leia-se uso de tecnologias) contribuiu mais (de 54% a 57,9%, em vermelho) para formação da renda dos produtores do que o aumento da área explorada (de 42% a 45,97%) nas propriedades.

A exceção é a última classe, de mais de 200 salários mínimos. Aí, se alcançou o uso mais intensivo de tecnologias e a maior renda por hectare. Conseguiu-se o máximo que a tecnologia pode fazer num hectare. Nesse caso, quando o produtor trabalha próximo do limite de produtividade da tecnologia, o aumento de mais hectares cultivados contribuiu mais (50,68%) para melhorar a renda bruta dos produtores, do que pode contribuir (49,32%) a tentativa de aumentar a já elevada produtividade de cada hectare.

Essas evidências sugerem que, num quadro de recursos limitados, a melhor estratégia para que fazendeiros de menores ganhos melhorem sua renda bruta consiste em concentrar os seus investimentos no sentido de extrair o melhor rendimento possível de cada hectare explorado.

Nesse caso, ao invés de usar uma grande área ou toda a propriedade, eles devem estabelecer um plano gradativo de incorporação produtiva de áreas da fazenda, de maneira a extrair um alto valor de produção de cada novo hectare incorporado, seja de uma pastagem ou de uma lavoura, até completar a exploração de toda a propriedade, ao fim de vários anos.

Esses dados indicam que a intensidade no uso de tecnologias é mais determinante para a geração de rendas para o produtor do que a quantidade de terras utilizadas. Em outras palavras, um produtor com menos terras, se for mais eficiente e intensivo no uso de tecnologias, pode ter renda maior do que um grande produtor. Como usar mais terras também significa usar mais trabalho, os dados sugerem que a quantidade de tecnologias usadas também é mais determinante na geração de rendas do que a quantidade de trabalho.

Também sugerem que foi a facilidade e eficiência em usar tecnologias disponíveis que possibilitou a 500 mil produtores aumentarem suas rendas a ponto de concentrar, em suas mãos, 87% da produção e da renda bruta agrícola nacional. O desafio que se coloca é saber o que impediu os demais produtores de seguirem o mesmo caminho de facilidade e eficiência na intensificação tecnológica.

AUTORIA

Renato Cruz Silva
Secretaria de Inteligência e Macroestratégia da Embrapa

Diploma inútil? Por que tantos brasileiros não conseguem trabalho em suas áreas

Enquanto você lê esta reportagem, milhares de jovens pelo Brasil se preparam para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), prova que pode garantir a entrada deles na universidade. Os estudantes apostam na graduação para começar uma carreira. No entanto, muitos dos que pegam o diploma hoje não conseguem exercer sua profissão.

A culpa não é só da crise econômica, que levou o desemprego a 11,8% no terceiro trimestre deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas do perfil dos recém-formados. Eles se concentram em poucas áreas e, quando buscam uma vaga, percebem que não há tanto espaço para as mesmas funções.

Essa análise foi feita pelo economista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Hélio Zylberstajn, a partir de um cruzamento de dados do Censo do Ensino Superior e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho.

Os números de 2014, os mais recentes disponíveis, mostram que 80% dos formandos estudavam em seis ramos: comércio e administração; formação de professor e ciências da educação; saúde; direito; engenharia e computação. Ao olhar o que faziam os trabalhadores com ensino superior, o professor notou que os cargos não existiam na mesma proporção dos diplomas.

Um bom exemplo é o setor de administração que, em 2014, correspondia a 30% dos concluintes. Apesar da fatia expressiva, apenas 4,9% dos trabalhadores com graduação eram administradores de empresa. Outros 9,4% eram assistentes ou auxiliares administrativos, função que nem sempre exige faculdade.

“As pessoas fazem esses cursos, mas evidentemente não há demanda para tantos advogados ou administradores. Elas acabam sendo são subutilizadas”, diz Zylberstajn.

O professor também diz que o número total de graduados seria superior ao que o mercado brasileiro pode suportar. De acordo com o Censo do Ensino Superior, em 2014, um milhão de pessoas saíram das salas de aula. Em 2004, eram 630 mil.

Mais gente no ensino superior

A multiplicação das instituições privadas, ao lado da maior oferta das bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), facilitaram o acesso dos brasileiros à graduação. De 2000 a 2014, a quantidade de instituições dessa natureza aumentou 15%. Outro fator, dizem os entrevistados, é cultural: no país, a beca é sinônimo de status.

“A gente despreza o técnico e supervaloriza o superior. É uma tradição ibérica. Como por muito tempo foi uma coisa da elite, passou a ser considerado um meio de ascender socialmente”, afirma Zylberstajn.

Para a professora Elisabete Adami, da Administração da PUC-SP, esse objetivo está ligado à ideia de que o diploma basta para ganhar mais. Ela diz que deu aulas em faculdades privadas de São Paulo e notava o desejo de seus alunos de melhorar de vida.

“Na sala, tinha três que eram carteiros, muitos motoboys, o pessoal que trabalhava em lojas. O que eles queriam ali? Subir.”

Rodolfo Garrido pensava nisso quando largou o ensino técnico para entrar em uma faculdade privada. Ele ganhava R$ 2.600 como programador de produção em uma metalúrgica. Como engenheiro, diz, seu salário poderia subir para R$ 4.000. Com a oportunidade do financiamento estudantil, decidiu apostar.

“Já trabalhava na área, então só juntei os estudos. Para poder me graduar e ter um salário melhor, poderia ganhar o dobro. Quando surgiu o incentivo do governo, comecei a pesquisar, porque antes era uma bolada.”

Depois de três semestres, teve que deixar as aulas porque ficou desempregado.

Segundo a diretora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP, Tania Casado, a crença de Rodolfo é endossada por pesquisa. Elas indicam salários maiores para empregos de nível superior. Mas a professora faz uma ressalva: os estudos são feitos com quem já está trabalhando nesses cargos.

“Os dados são verdadeiros, só que é preciso lê-los corretamente. O fato de você fazer uma faculdade não significa que vai para um vaga desse tipo.”

Os motivos pelos quais Rodolfo escolheu engenharia também ajudam a explicar a concentração dos estudantes em seis áreas, que incluem saúde, direito e computação. São profissões tradicionais, teoricamente mais estáveis e bem pagas. Além disso, são as mais oferecidas pelas instituições privadas, responsáveis por 87,4% da educação superior no país.

“As pessoas vão para faculdades pagas, que têm cursos de menor custo, como Direito e Administração”, diz o professor Hélio Zylberstajn.

Eles são mais baratos porque não usam outros equipamentos a não ser a sala de aula. Cursos de Química, por exemplo, exigem laboratórios e substâncias controladas.

Outro fator para decisões tão parecidas seria a pouca idade com que os brasileiros escolhem uma profissão.

“É uma meninada de 17, 18 anos, que faz Administração porque o pai fez, ou porque acha legal ser CEO”, diz a professora Elisabete Adami, da PUC-SP.

Aceitar o que tiver

Com tantos professores, administradores e advogados no mercado, muita gente tem dificuldade de conseguir um bom cargo na sua área. Às vezes o jeito é aceitar vagas que pedem apenas ensino médio.

Quando Evelyn Maranhão se formou, em 2011, pensava que seria administradora de empresas. Cinco anos e muitas negativas depois, trabalha como assistente administrativa. Ela registra pedidos e lança horas-extras no sistema de uma empresa de manutenção predial.

“Achei que ia lidar com estatística, relatório, análises, e, na verdade, faço o que uma secretária faria. Imaginava que estaria na tomada de decisões.”

Há quem nem consiga exercer sua profissão.

Antes de cursar enfermagem, Vivian Oliveira trabalhava com eventos. Mesmo depois da formatura, continua organizando congressos, feiras e festas. Nesse meio tempo, diz, mandou incontáveis currículos, mas não foi chamada para entrevistas. Só foi contratada por uma clínica, onde ficou um ano.

“Até há vagas, mas como não tenho muita experiência, eles não chamam.”

Para a enfermeira, o fato de não ter estudado em uma universidade conceituada prejudicou sua trajetória “Se surgir uma posição no (hospital Albert) Einstein, vai entrar alguém de faculdade renomada. Vi que meus colegas buscam fazer pós em lugares reconhecidos, porque colocam esse nome no currículo.”

Faculdade renomada

A falta de experiência e a formação em instituições pouco prestigiadas são os principais empecilhos que os formandos enfrentam nos processos de seleção, diz Luciane Prazeres, coordenadora de Recursos Humanos da agência de empregos Luandre.

Prazeres relata que muitos profissionais chegam no mercado sem ter feito estágio porque precisavam trabalhar para pagar os estudos. E alguma experiência na área é sempre requisitada pelos empregadores.

“A maioria são recepcionistas, operadores de call center que buscam o oposto do que estão fazendo. Mas, se ele não sai do mercado para fazer estágio, é difícil conseguir uma oportunidade.”

Segundo ela, é comum que, ao abrir um posto, as empresas peçam candidatos formados em determinada universidade.

Professora na PUC-SP, Elisabete Adami diz notar essa diferença ao ver que seus alunos saem empregados do curso.

“Pega estudantes da PUC, da FGV, do Insper, da USP…eles não estão tão sem trabalho. O pessoal de faculdades de segunda linha não encontra espaço e vai ter que fazer uma pós para complementar a formação.”

Para Adami, houve uma proliferação de escolas com menos qualidade, que entregariam profissionais deficientes.

“Esses conglomerados pagam, em média, R$ 17 a hora-aula. Que tipo de professor você vai ter?”

No entanto, pondera, a estrutura ruim não é sempre sinônimo de profissionais mal-preparados. Só que, nesses ambientes, eles são mais frequentes do que em instituições de ponta.

“Sai gente boa, mas por conta própria, porque são esforçados.”

Entre uma graduação ruim e uma boa formação técnica, diz Adami, ela aposta na segunda.

“Essa mania de ser o primeiro da família a se formar é uma ilusão, mas é forte no Brasil. É algo secular. Na França e na Alemanha, você não tem esse percentual de jovens na universidade.”

Ensino técnico

O ensino técnico é citado pelos entrevistados como uma opção interessante.

Hélio Zylberstajn, da USP, diz que o ensino é negligenciado e faz falta para o país. O professor sugere que disciplinas ligadas ao ensino técnico sejam incluídas na grade curricular do ensino médio, e não em institutos, como acontece hoje.

“Estamos carentes de técnicos. No ensino médio, deveríamos formar mão de obra em cooperação com as empresas.”

Esse tipo de formação é uma possibilidade que deve ser analisada antes da decisão definitiva pelo ensino superior, diz Tania Casado, do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP.

“É preciso olhar para o lado e ver que há muitas posições não preenchidas, porque as pessoas não têm estudo específico. Os jovens precisam saber disso ao se lançarem em um curso.”

Se a escolha for pelo ensino superior, Casado diz que o estudante não deve conhecer apenas a profissão, mas as ocupações que ela abrange. Um graduado em Medicina, por exemplo, pode tornar-se um gestor de plano de saúde. Da mesma forma, alguém formado em Administração pode tornar-se um consultor.

Além de analisar as alternativas que o mercado oferece, aconselha a diretora, o candidato deve olhar para si e escolher algo com o que se identifique. Se depois quiser mudar de área, a transição não tem que ser dolorosa. Nem sempre uma nova faculdade é necessária, afirma. Às vezes uma especialização ou cursos livres são suficientes.

“Carreira é isto: olhar o entorno e se olhar, o tempo inteiro. E saber que, à medida que você vai evoluindo, pode haver outros interesses, o que é bom. É preciso se preparar para esses interesses, mas não necessariamente isso passa por uma graduação.”

FONTE: BBC Brasil
Ingrid Fagundez