Queda no índice de registros no Sisbov preocupa governo

Da Redação

O Ministério da Agricultura chegou nesta quinta-feira, dia 29, a uma constatação preocupante: a quantidade de animais cadastrados no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) caiu 62% no mês de julho em comparação com junho. No mês passado, o sistema teve 4,597 milhões de animais cadastrados. Neste mês, os registros caíram para apenas 1,735 milhões de animais.

O ministério alerta que permanecem em vigor todos os normativos e prazos do Sisbov. Recentemente, o ministério suspendeu a etapa intermediária que aumentava de 40 para 90 dias o prazo mínimo de ingresso e permanência de animais destinados à exportação na base nacional de dados do sistema. Esse prazo deveria vigorar a partir do último dia 31 de maio. Depois, adiou, de 1º de agosto deste ano para 1o de fevereiro de 2005, a exigência de prévio cadastramento de animais inscritos em exposições, feiras e leilões no Sisbov.

O ministro Roberto Rodrigues tem reiterado seu propósito de aprimorar as normas e procedimentos do Sisbov.

– O presidente Lula tem nos orientado e incentivado a adotar medidas para assegurar a qualidade e a inocuidade dos produtos de origem agropecuária, não apenas para a exportação, mas principalmente para o mercado interno – disse.

O ministério esclarece que o grupo de trabalho recentemente criado, sob a coordenação do Gabinete do Ministro, para analisar e aprimorar a rastreabilidade animal, tem a função de ouvir as partes interessadas, colher críticas e sugestões, discutir princípios e diretrizes e, no prazo de até 90 dias, apresentar um relatório para a apreciação do ministro Rodrigues. O grupo de trabalho não tem autonomia para modificar as regras do Sisbov.

Rodrigues considera importante que, no caso da carne bovina, o Estado e todos os elos da cadeia produtiva tenham a consciência de que o Brasil, na condição de detentor do maior rebanho comercial do mundo e de maior exportador mundial do produto, precisa avançar rapidamente na eliminação de doenças de alto risco, na melhoria dos padrões sanitários e no estabelecimento de mecanismos ágeis e confiáveis.

– Não fazer isso agora, quando o mercado cresce e tem garantido uma boa remuneração, seria perder uma oportunidade ímpar, além de colocar em risco as conquistas alcançadas – avaliou.

As estatísticas de comércio exterior indicam que neste ano a receita com as exportações de carne bovina pode atingir US$ 2 bilhões. Os valores acumulados nos últimos 12 meses até junho de 2004 indicam um crescimento de 69% no valor exportado, em comparação com os 12 meses imediatamente anteriores. De janeiro a junho deste ano, as exportações de carne bovina chegaram a US$ 1,088 bilhão, resultado 30,7% superior aos US$ 643,7 milhões registrados no mesmo período de 2003.

As informações são do Ministério da Agricultura.


Agrol – 30/07/2004
http://www.clicrbs.com.br/agrol/

Safra de grãos de 2004 deverá atingir 118,8 milhões de toneladas

Da Redação

A produção total de cereais, leguminosos e oleaginosas poderá alcançar 118,803 milhões de toneladas em 2004. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base nos dados do mês de junho. O resultado representa uma queda de 3,91% em relação à safra do ano passado. Em comparação com a estimativa do mês anterior os números apontam uma queda de 0,64%.

A região Sul, de acordo com os dados do IBGE, deverá ter a produção de 48,971 milhões de toneladas. A menor produção deverá ser na região Norte com 3,331 milhões de toneladas. Em comparação com a safra de maio o maior crescimento de produção se registrou com o algodão herbáceo em caroço (54,95%), seguido do arroz em casca (25,51%) e feijão em grão segunda safra (7,16%).

A previsão só não se confirmará se houver queda na produção de trigo para este ano. A informação é do Chefe de Coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Alberto Lauria.

– Temos que esperar até dezembro praticamente para que tenhamos uma estimativa definitiva dessa safra – disse o técnico, lembrando que o produto ainda está em fase final de plantio nos dois principais estados produtores (PR e RS) e a colheita só termina em dezembro.

Em comparação a 2003, o crescimento na produção foi de 3,17%. O técnico explicou que a previsão para este ano é de uma produção de 6,2 milhões de toneladas de trigo. Desde 1987, quando o país produziu 6,1 milhões de toneladas, o trigo não apresentava previsão tão elevada.

Lauria destacou que o crescimento da produção diminui a necessidade de importação do produto para atender o consumo no país, que é de 10 milhões de toneladas, refletindo positivamente nos números da balança comercial.

– A redução na importação do trigo é favorável à balança comercial. É menos gasto para o país – ponderou.

Segundo o técnico do IBGE, o aumento na produção, além de condições climáticas, é decorrente de melhor financiamento que os agricultores estão conseguindo por meio de incentivos do governo federal.


Agrol – 30/07/2004
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Agrotóxicos à mesa

JORGE CORREA

Saladas, cozidos, suflês e doces degustados pela população estão ameaçados pela presença de nomes complicados como difocol, clorotalonil, etiona e diclorvós durante a fase de crescimento de frutas e verduras utilizadas no preparo dos pratos. O perigo que ronda a mesa dos brasileiros é conhecido popularmente como agrotóxico e aparece com maior poder de contaminação em produtos como morango, mamão, batata, alface, maçã e banana.

É a primeira vez que se avalia com profundidade no Brasil o excesso ou uso inadequado de agroquímicos nos alimentos in natura. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde, analisou nos dois últimos anos amostras de nove produtos in natura nos Estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Acre, Goiás, Santa Catarina e Tocantins. A agência apurou que o morango e o mamão são os produtos com maior índice de contaminação por herbicidas, fungicidas ou inseticidas.

Conforme os dados apurados em 2002 e no ano passado, mas divulgados este ano, o índice de contaminação do morango saltou de 46% para 54,44% no período. Das 78 amostras pesquisadas, 57 estavam irregulares. Destas, 52 eram por uso de agrotóxicos não-autorizados para o tipo de cultura. No mamão, a presença de agrotóxicos evoluiu de 19,5% para 37,36%.

Mas a pesquisa também revela boas notícias para os consumidores. Até então considerado um dos campeões de alimentos com agrotóxico, o tomate, que tinha índice de 26,1% de contaminação em 2002, não apresentou qualquer irregularidade no ano passado. Oitenta e nove por cento das ocorrências são de uso de agrotóxicos não-permitidos. Segundo Ricardo Velloso, gerente de Avaliação do Risco da Anvisa, o alto índice de irregularidades no mamão e no morango ocorre devido à vulnerabilidade dessas frutas às pragas. Os agricultores abusam do agrotóxico nessas plantas para conter a ação de insetos, fungos e ervas daninhas.

– O morango cresce no chão e fica muito exposto aos parasitas. O agricultor se desespera e apela aos produtos químicos para não perder a sua colheita – explica o especialista.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) analisou o trabalho da Anvisa e considerou-o uma evolução em relação à falta de qualquer política contra os exageros na aplicação de agrotóxicos antes de 2001. Seus técnicos ressaltam, entretanto, que o programa necessita de alguns ajustes, especialmente na responsabilização dos infratores e na informação ao consumidor.

Segundo o Idec, em 2002, primeiro ano da avaliação, das 1.278 amostras analisadas, 81,2% (1.051) exibiam resíduos de agrotóxicos. Desse total, 233, ou 22,17%, apresentaram irregularidades, porque os percentuais de resíduos ultrapassavam os limites máximos permitidos pela legislação. O mais grave é que, entre as 233 amostras irregulares, 74 continham resíduos de agrotóxicos não-autorizados para as respectivas culturas, devido ao seu alto grau de toxicidade – como o dicofol e os ditiocarbamatos. Do total, 94 estavam acima do Limite Máximo de Resíduos (LMR) e 65 apresentavam as duas irregularidades.

Zero Hora – Caderno Campo e Lavoura – 30/o7/2004
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Vitelo Gallego: Carne com valor agregado

Da Redação

A fazenda Mosquera e amp; Grandal recebeu a imprensa no dia 24 de julho para apresentar seu sistema de produção do Vitelo Gallego, uma proposta para produzir carne com valor agregado, que tem demanda nos mercados interno e externo.

Eduardo Grandal justificou a proposta do Vitelo Gallego como solução viável para o Brasil. O sistema está sendo implantado, em parceria com os governos de Santa Catarina e Pernambuco. Também inicia parceria com a prefeitura de Juiz de Fora (MG), num programa voltado para produtores de leite (Girolando), para os bezerros machos, ampliando os lucros das propriedades.

Considerando a carne de vitelo um produto voltado para nichos mais sofisticados, como restaurantes de primeira linha (atualmente está no cardápio da rede de hotéis Melliá) e para exportação (mercado europeu), Eduardo Grandal propõe um modelo para agregar valor. Contudo, chama a atenção para uma preocupação que deve ser destacada por todos os que se dedicam a desenvolver programas voltados para o desenvolvimento de produtos; “Faltam ao Brasil garantias sanitárias e rastreabilidade. O produto Vitelo Gallego é reconhecido em todo o mundo e podemos ganhar nichos especiais, com garantias e rastreabilidade. O nosso sistema de produção faz a lição de casa, aplicando a rastreabilidade ponta-a-ponta e aplicando as boas práticas, também ponta-a-ponta”.

Confirmando o que diz, Grandal pesou três animais entre os destinados ao abate técnico no dia 26 de julho, e os jornalistas presentes receberão uma senha para “rastreá-los” nas seqüências seguintes. Haverá uma demonstração da rastreabilidade aplicada durante a Conferência Internacional sobre Rastreabilidade de Alimentos, que será realizada de 21 a 24 de setembro próximo, em São Paulo.

O sistema de rastreabilidade escolhido é tecnologia INKOA (Espanha) representada no Brasil pela Agrobiz. Trata-se de tecnologia de Internet, viabilizando gestão on line e adequação caso a caso, cobrindo toda a cadeia produtiva, até o consumidor final, que pode verificar a origem e o histórico do produto que vai consumir. O Sistema Inteligente INKOA permite implantar a rastreabilidade em qualquer tipo de alimento, animal ou vegetal.

Produzindo Qualidade

Grandal esclarece que o sistema de produção do Vitelo Gallego, com base no cruzamento industrial, não faz restrição a nenhuma raça. No minucioso sistema de controle e avaliação que aplica em todas as etapas, avalia cada tipo de cruzamento. Os abates técnicos têm sido realizados dos 6 aos 12 meses e, conforme cada caso, é estabelecida a idade ideal e mais rentável para o vitelo.

Na Fazenda Mosquera e amp; Grandal foi definida a idade para o abate aos 9 meses. Ali são feitos cruzamentos via inseminação artificial da Rubia Gallega com vária raças e os resultados são satisfatórios: o custo por unidade animal é de R$ 500,00 e o preço da venda é de R$ 830,00. Também são abatidas as fêmeas que não sejam selecionadas para matrizes, porque as fêmeas produzem gordura mais cedo que os machos.

Nos diversos abates técnicos (aos 10,11,12 e 13 meses), não foi constatada diferenças na cor da carne e, para cruzamentos com raças diferentes a conformação final do animal é semelhante, com rendimento médio de carcaça entre 59 e 61%.

Concluindo, Eduardo Grandal diz: “O que importa é que, para produzir o Vitelo Gallego temos um programa que funciona na prática, sem complicações. Um produto nos melhores padrões para atender mercados exigentes. Um produto que agrega valor”.

(fonte: Agrobiz)


Visão Pecuária – 29/07/2004
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Ricos querem proteger 55% da produção agrícola

Assis Moreira De Genebra

O grupo de “produtos sensíveis” que a União Européia, Japão e outros países querem excluir de liberalização cobre 20% das linhas tarifárias e 55% da produção agrícola dos países industrializados, estima o Banco Mundial em estudo recém-publicado. Isso reduz substancialmente o impacto da negociação agrícola na OMC para abrir mercados às exportações do Brasil, Argentina e outros produtores competitivos. Essa é principal divergência na OMC para se alcançar um acordo até sexta-feira.
O G-20 aceitou, em suas propostas iniciais, que houvesse flexibilidade para os industrializados protegerem alguns produtos, desde que pagassem um preço. Mas o mediador agrícola, Tim Groser, deu uma ampla definição de produtos sensíveis, como “quase todos” aqueles cobertos atualmente por cotas tarifárias (limites de importação). Ao mesmo tempo, estabelece uma redução na tarifa extra-cota, deixando o acesso basicamente por esse meio.
O problema é que os produtos submetidos a cotas são muitos e também os de maior interesse exportador de países como o Brasil. Dados da OMC mostram a existência de mais de 1.400 cotas. No G-10, a Noruega tem 232 cotas. A União Européia tem 84, mas dois novos membros têm ainda mais: a Polônia, 90, e a Hungria 70. Nos países em desenvolvimento, o número de cotas é muito baixo. A China tem 10, o Brasil duas e a Índia nenhuma.
Os cálculos da Austrália, líder do Grupo de Cairns, são de, globalmente, 25% das linhas tarifárias poderiam ser consideradas “produtos sensíveis”. O G-10 estima que entre seus membros os sensíveis variam de 15% a 45% da produção agrícola e os franceses dizem que na UE, esses produtos são 12% do comércio.
Nesse cenário, o G-20 propôs emenda para limitar os “sensíveis” e expandir as cotas como pagamento. Para os EUA, quanto mais um país tiver produto a ser protegido, deve se comprometer com um percentual maior de corte tarifário. A insatisfação é generalizada e sem mudança no texto de Groser dificilmente haverá acordo.

Jornal Valor Econômico – 28/7/2004
http://www.valor.com.br