Proposta a criação de fundo para pesquisas

Da redação

A Câmara Temática de Ciências Agrárias, vinculada ao Conselho do Agronegócio (Consagro) do Ministério da Agricultura, propôs ontem a criação de um fundo para financiar pesquisas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias do agronegócio.

Administrado pelo setor privado, o fundo arrecadaria recursos de forma voluntária ou compulsória, e investiria em projetos de pesquisas voltados para o desenvolvimento de novas cultivares e produtos para o tratamento de doenças, seguindo os moldes do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Estado de São Paulo (Fundepec).

José Roberto Rodrigues Perez, secretário-executivo da Câmara Temática de Ciências Agrárias, diz que o objetivo é aumentar o investimento em pesquisa no Brasil. Ele observa que o percentual do PIB do agronegócio aplicado em projetos da Embrapa baixou de 0,45%, em 1979, para 0,04% este ano. “Em média, o Brasil aplica 0,9% do PIB do agronegócio em pesquisa, enquanto nos Estados Unidos, esse índice é de 2,5%”, afirma Rodrigues Perez.

A proposta será entregue ao ministro Roberto Rodrigues até a próxima semana e será avaliado pelo Consagro até agosto. (CB)

Jornal Valor Econômico – 14/7/2004
http://www.valor.com.br

Reengenharia

Da redação


Com o apoio de ruralistas e o aval do presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, chegou ao Ministério do Planejamento proposta para que a empresa seja transferida do Ministério da Agricultura para o da Ciência e Tecnologia. Alegam que assim a Embrapa escaparia do contingenciamento de recursos do Orçamento. É mais um capítulo na difícil relação de Campanhola com o ministro Roberto Rodrigues.


Jornal O Globo – 13/7/2004
http://oglobo.globo.com/jornal/

Europa segue sem controlar a doença da vaca louca

Da redação


Os países da União Européia (UE) confirmaram 419 casos de “vaca louca” nos últimos seis meses de 2004. Segundo os últimos dados da Comissão Européia, divulgados na semana passada, o Reino Unido é o país com mais animais acometidos pela Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) ou enfermidade da vaca louca (152), seguido pela Irlanda (68), Espanha (60), Portugal (44), Alemanha (33) e França (31), de acordo com as informações notificadas à Comissão Européia até julho.

Na Bélgica, a EEB acometeu 7 bovinos, assim como na Polônia; na Holanda, 5; na República Checa, 4; Itália e Eslovaquia confirmaram 3 casos, enquanto que Dinamarca e Eslovênia notificaram apenas um animal enfermo. Fora da UE, foi detectado caso de “vaca louca” somente no Japão. Em 2003, os vinte e cinco países registraram um total de 1.376 casos de EEB (1.364 nos 15 Estados membros antigos).

Suinocultura Industrial – 13/7/2004
http://www.suinoculturaindustrial.com.br/

Biossegurança e precaução

Ventura Barbeiro


O prefácio do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança afirma que a falta de conhecimento científico não deve ser usado com a finalidade postergar medidas que visem a impedir a perda de biodiversidade.
Em toda situação em que exista um possível risco para o meio ambiente ou para a saúde humana e animal, deve haver uma abrangente avaliação dos impactos da tecnologia baseada no “Princípio de Precaução”.

A adoção desse princípio é essencial para se evitar surpresas desagradáveis, como vem acontecendo no caso da soja transgênica “Roundup Ready”. Genes desconhecidos e alterações inesperadas no metabolismo da planta estão entre as descobertas preocupantes que surgem a cada dia, enquanto poderiam ter sido evitadas com uma detalhada avaliação de risco. Essa é a importância de uma Lei de Biossegurança que proteja a saúde do consumidor e o equilíbrio do meio ambiente.

Veja quanta coisa já saiu errado, com os ‘transgênicos seguros’

Aprovada para plantio comercial nos EUA em 1994, empregando o princípio da “equivalência substancial”, a primeira colheita da soja transgênica foi em 1996. Em 1998, pesquisadores encontraram níveis inferiores de fitoestrogênios ou isoflavóides (compostos químicos com estrutura similar ao hormônio humano estrogênio) na soja transgênica. Acredita-se que esses fitoestrogênios sejam importantes do ponto de vista clínico. Em 1999, foi encontrada uma importante alteração no metabolismo dessa soja transgênica, a qual pode ser a causa do rachamento do caule da planta em situação de calor excessivo.

Em 2000, foi descoberto que fragmentos desconhecidos de DNA foram adicionados acidentalmente a essa soja. Em 2002, explicações adicionais demonstraram que parte desse fragmento é DNA de soja mesmo, porém rearranjado. A empresa Monsanto afirmou que esses fragmentos não estavam ativos, só que mais tarde foi descoberto exatamente o contrário.

O atual estágio das tecnologias utilizadas na obtenção de transgênicos podem ser caracterizadas como sem previsibilidade; sem controle dos sítios alvos; sem controle do destino do transgene ou partes dele; sem controle nas mudanças de expressão gênica; sem controle dos transgenes no ecossistema e de difícil reproducibilidade. Não apenas a soja transgênica causou espanto com os seus genes desconhecidos inseridos acidentalmente, mas também as tecnologias Syngenta Bt11, Syngenta Bt106 e o Monsanto Mon810 contêm essas surpresas desagradáveis.

A descoberta

Uma equipe de médicos italianos descobriu, em 2002, que ratos alimentados com soja transgênica RR apresentaram alterações nas estruturas internas das células do figado e alterações quantitativas em alguns componentes do pâncreas. Esses estudos são preliminares, porém indicam uma hiperatividade hepática, exigindo mais pesquisas para se compreender melhor o que causa essas modificações. Não houve alteração de peso ou desenvolvimento das cobaias ao longo dos oito meses do experimento, mas essas alterações no figado e pâncreas são preocupantes, pois seus efeitos a longo prazo são desconhecidos.

O que mais pode dar errado?

Uma avaliação dos primeiros oito anos das culturas transgênicas nos EUA demonstrou um aumento expressivo no consumo de agrotóxicos, devido à combinação da redução do preço dos produtos químicos com o surgimento das superervas daninhas, que exigem mais agrotóxicos. O que mais pode dar de errado com a soja transgênica Roundup Ready?

O Senado brasileiro discute a Lei Nacional de Biossegurança, com uma grande pressão para a liberação dos transgênicos sem a avaliação feita pelos orgãos competentes dos Ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura. O Senado Federal está prestes a votar a matéria. Um forte embate está sendo travado entre senadores que defendem a liberação dos transgênicos sem nenhuma avaliação detalhada de impacto ambiental e de saúde humana e animal, enquanto outros, muito preocupados com os consumidores e com o meio ambiente, defendem regras que permitem uma avaliação mais abrangente e multidiciplinar para a liberação desses organismos na natureza.

Participe desse debate, dê sua opinião. O Senado dispõe do telefone gratuito 0800-612211 e da página http://www1.senado.gov.br/SPO/ para receber opiniões e sugestões dos cidadãos.

Se liberados, esses organismos transgênicos irão para o seu prato. Não aceite ser a cobaia desse grande experimento genético e faça a sua parte. Exija uma avaliação que afaste riscos para o meio ambiente e para a sua saúde, baseada no “Principio de Precaução”.

Ventura Barbeiro, é engenheiro agrônomo pela ESALQ-USP, conheceu a soja transgênica em 1990 ainda nos laboratórios do Life Science Research Center da Monsanto em St. Louis, EUA. Desde janeiro desse ano atua no Greenpeace. Email: ventura.barbeiro@terra.com.br

Paraná Online – 13/7/2004
http://www.parana-online.com.br/

CONAB avança na estimativa de safras por satélite

Rosana de Fátima Cunha


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, participa da Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Mato Grosso (Expoagro), com palestras técnicas, apresentação do sistema de leilão eletrônico e de informações geográficas, além da difusão de informações do agronegócio.
No evento, que acontece até 18 de julho, no Parque de Exposições de Cuiabá (MT), a Superintendência de Informações do Agronegócio da Conab explicará os projetos GeoSafras, para a modernização da estimativa de safra de grãos, e o SigaBrasil, um sistema de informações geográficas que vai atender usuários do agronegócio.
A Conab pretende monitorar por satélite a estimativa da safra brasileira de grãos em todos os estados até 2006. O projeto utilizará suporte de modelos agrometeorológicos que serão testados nas culturas de café, cana-de-açúcar, milho e soja até o fim de 2004. De acordo com o especialista Divino Figueiredo, o GeoSafras está em pleno andamento nos estados produtores, como Paraná e Rio Grande do Sul (soja e milho), Mato Grosso (soja), Minas Gerais e Espírito Santo (café).
Em maio, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, lançou o projeto em Brasília. Segundo ele, o mecanismo tirará o Brasil de um grande atraso tecnológico. “O objetivo é atualizarmos semanalmente os dados essenciais à formulação da política agrícola brasileira”, diz. “Era um sonho de todo o setor”.
O SigaBrasil é um sistema de informações geográficas para atendimento à comunidade de usuários da cadeia do agronegócio brasileiro. O sistema oferece informações e mapas via Internet, integrando bancos de dados de produção agrícola, rede de armazéns, rede viária (rodovias, ferrovias e hidrovias), agroindústrias, assentamentos e acampamentos.
A Conab espera migrar o SigaBrasil para um ambiente de software livre na área de sistemas de informações geoespaciais, além de prover um banco de dados geográficos que permita a construção de um ambiente para desenvolver aplicativos e ferramentas para o mundo geográfico do agronegócio.
Na última sexta-feira, a Conab promoveu um leilão especial no estande da exposição. Os interessados conheceram o funcionamento dos pregões eletrônicos, normalmente realizados em Brasília. Foram oferecidos 12 lotes de farinha de mandioca com os lances seguindo as normas do regulamento, como acontece numa operação normal. A venda foi realizada em tempo real, acompanhada por interessados e representantes regionais da Conab.


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – 12/7/2004
http://www.agricultura.gov.br/