Mudanças climáticas alteram incidência de doenças

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi criado em 1998 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) com o objetivo de fornecer informações científicas e sócio econômicas importantes para o entendimento dessas alterações no clima. De acordo com os dados levantados, o aquecimento global é uma realidade. Outra evidência é a maior ocorrência de chuvas em algumas regiões e maiores períodos de secas em outras. Por isso, pesquisadores de vários países trabalham na identificação dos impactos em diferentes áreas como, por exemplo, a saúde. As mudanças climáticas vêm influenciando a incidência de algumas doenças, dentre elas as de veiculação hídrica, como cólera e leptospirose, as transmitidas por vetores – como a dengue – e as respiratórias. Na reportagem de Márcio Rezende vamos saber como pesquisadores brasileiros estão mapeando esses impactos.

FONTE: Canal Futura

CNT: setor privado pode investir R$ 500 bilhões para a melhoria de transportes

Antes de participar ontem (27/05/15) de reunião com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, disse que o setor privado poderá dar contribuição de R$ 500 bilhões para a melhoria do setor de infraestrutura de transportes nos próximos anos, o que compensará em parte a falta de recursos decorrente do contingenciamento (retenção de gastos) de R$ 69,9 bilhões anunciado pelo governo no dia 22 de maio.

“[O valor de] R$ 1 trilhão [é o] que a CNT prevê como investimento em infraestrutura [necessário para o país nos próximos anos, dos quais] 50% podem [ser cobertos pela] iniciativa privada, sem nenhuma necessidade de gasto de Orçamento público”, disse Andrade. “[Essa contribuição dos empresários seria] uma alavancagem muito grande para a economia”, disse.

Segundo Clésio Andrade, do total de investimento necessário para melhorar a infraestrutura de transportes do país, só o setor ferroviário precisará de cerca de R$ 150 bilhões. “Estamos falando de investimento em sistemas multimodais, em terminais de armazenagem”, acrescentou.

Ao analisar a infraestrutura brasileira, Clésio Andrade disse que “o Brasil perdeu a visão sistêmica de transporte em nível governamental”. A CNT, segundo ele, poderia ajudar o país oferecendo “a visão sistêmica de todos os modais de transportes”. E acrescentou: “Temos estudos profundos. Vou inclusive entregar ao ministro Joaquim Levy o Plano CNT de Transporte Logístico, que mostra claramente essa visão”.

Conforme ele, a confederação “não está falando de transporte de caminhão, ônibus ou ferrovia: está falando sobre qual a melhor forma de você pegar o produto e chegar no porto [de forma] mais barata”.

Após reunião com Levy, CNT defende investimentos para evitar crise econômica

Após participar de reunião com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, disse concordar com o ajuste fiscal, mas acrescentou que o país precisa de algumas “vitaminas” para evitar o aprofundamento da crise econômica. Ele apresentou ao ministro proposta que prevê investimentos, nos próximos anos, de R$ 1 trilhão em transportes e logística. Segundo ele, do total de investimentos previstos, cerca de R$ 500 bilhões ficariam sob a responsabilidade do setor privado.

“Pontualmente, há algumas questões de que discordamos, como a desoneração da folha de pagamentos do setor de transportes, que é um grande empregador. Mas, especificamente, mostramos para o ministro que esse ajuste fiscal está criando um processo recessivo e precisamos de algumas vitaminas. O Brasil vem de um círculo virtuoso de distribuição de renda, mas que quase acabou quebrando o país”, disse.

Além de Clésio Andrade, participaram da reunião com Levy dirigentes de confederações nacionais do setor produtivo e da área financeira.

Segundo Andrade, o Plano CNT de Logística e Transporte, entregue a Levy, envolve mais de dois mil projetos. “É uma forma de amenizar a recessão”, disse. Segundo o presidente da CNT, a mensagem levada a Joaquim Levy “foi a de que, até o ano passado, existia uma realidade bem diferente na economia: agora, no entanto, é necessário que o governo faça os ajustes”.

“Todos [da reunião] concordamos: os investimentos são necessários e isso não depende somente [do ministro]. Na área de transportes, existem hoje 13 órgãos para regular o setor. Há 20 anos era só o Ministério dos Transportes. O governo tem que reavaliar rapidamente essa questão. Não existe a mínima condição de investimentos com todos esses órgãos regulando o setor”, enfatizou.

Sobre o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) — antigo Conselho de Contribuintes, outro tema na pauta da reunião com o ministro Levy, o presidente da CNT disse que as confederações estão trabalhando para contribuir com a reformulação e modernização do órgão.

O presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antonio Oliveira Santos, disse, após participar da reunião, que passou a ter mais confiança nas mudanças previstas no Carf, visando a modernização do órgão, depois que ouviu os argumentos de Levy sobre o assunto. O ministro Joaquim Levy não se pronunciou sobre o encontro.

Participaram da reunião com o ministro Levy, os seguintes presidentes de confederações: da CNC, Antonio Oliveira Santos; da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade; da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior; da CNT, Clésio Andrade; da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), Carlos Trabuco; da Federação Nacional de Saúde Suplementar, Márcio Serôa; e da Confederação Nacional de Saúde (CNS), Renato Merolli.

FONTE: Agência Brasil
Daniel Lima – Repórter
José Romildo – EDição

Microalgas decompõem dejetos suínos e geram biodiesel

É provável que em breve plantas invisíveis ao olho humano provoquem mudanças importantes na suinocultura brasileira. Estudos da Embrapa Suínos e Aves (Concórdia/SC) comprovaram que microalgas podem ser utilizadas com grande eficiência no tratamento dos dejetos suínos e na geração de biogás. Em um horizonte um pouco mais amplo, serão também matéria-prima de qualidade para produção de rações para uso animal, biocombustíveis e até produtos fármacos e cosméticos.

As microalgas são unicelulares e crescem em água doce ou salgada. Como seu próprio nome diz, são muito pequenas. Tão pequenas que seu tamanho é medido em micrômetros (um micrômetro equivale à milésima parte do milímetro). A estimativa é de que existam cerca de 800 mil espécies de microalgas no mundo.

O centro de pesquisa da Embrapa analisa o uso de microalgas no tratamento de dejetos suínos desde meados dos anos 1990. A observação das microalgas que naturalmente surgem nas lagoas instaladas na sequência de biodigestores existentes em propriedades rurais no Oeste de Santa Catarina fez com que os pesquisadores da Embrapa optassem por um caminho em especial.

Limpeza com geração de gás

“Hoje, estamos seguros de que as microalgas podem ser usadas para remover os nutrientes nos efluentes de dejetos de suínos. Além de limpar a água, elas podem ser colocadas, por exemplo, no interior do biodigestor para aumentar a capacidade de geração de biogás”, explica o pesquisador Marcio Luis Busi da Silva.

A proposta da Embrapa, que trabalha em parceria com instituições como a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), pode fazer de um problema histórico uma solução promissora. Os dejetos suínos foram vistos nas últimas três décadas como forte ameaça ambiental nas regiões que concentram a produção.

Como as microalgas se alimentam justamente dos nutrientes presentes nos dejetos, elas têm a capacidade de tornar mais eficientes os sistemas de tratamento instalados no campo. Mas esse não é o principal ganho. De acordo com o pesquisador, o que deve revolucionar a forma como os dejetos suínos são vistos é o uso posterior da biomassa de microalgas, gerada a partir dos resíduos da produção. Biomassa é todo recurso originado de matéria orgânica capaz de produzir energia.

No modelo já testado em laboratório pela Embrapa e facilmente aplicável à realidade da suinocultura nacional, as microalgas são recolhidas e inseridas novamente no biodigestor, aumentando significativamente a geração de biogás. Assim, é possível produzir energia elétrica ou gás em maior volume e constância. “Só essa melhoria já teria um impacto importante, especialmente no Sul do Brasil, em que há uma pressão ambiental maior sobre a atividade”, destaca Marcio Busi.

Se o interesse despertado entre empreendedores do País pode ser usado como um termômetro, é quase certo que as microalgas tendem realmente a ocupar um espaço importante no mundo da suinocultura nos próximos anos. Neste momento existem cerca de dez empresas no País tentando viabilizar negócios que têm as microalgas como elemento central. Uma delas é a Séston Biotecnologia, que trabalha em parceria com a Embrapa Suínos e Aves. Para o sócio da empresa e professor da Udesc, Fábio de Farias Neves, o negócio de transformação das microalgas em vários produtos está quase no ponto de sair dos laboratórios para o campo no Brasil. No caso da Séston, serão colocados no mercado cosméticos e itens de nutrição animal.

Outro esforço da Embrapa volta-se para a formação de um banco de germoplasma com as espécies de microalgas existentes no Brasil. A Embrapa Agroenergia e a Embrapa Suínos e Aves atuam em conjunto nesse objetivo, liderado pelo pesquisador Bruno Brasil.

De etanol a cosméticos

As microalgas são uma aposta para a oferta de biocombustíveis no futuro. Elas têm três vantagens em especial sobre outros vegetais também utilizados para a produção de combustíveis, como o milho e a soja: crescem rápido, não necessitam de grandes espaços para cultivo e não reduzem a oferta de importantes alimentos humanos.

De acordo com a revista Exame, de 2010 para cá foi aplicado cerca de US$ 1 bilhão em 50 instituições de pesquisa norte-americanas que atuam na produção de biodiesel a partir de microalgas. Elas também podem produzir etanol. Os carros da Fórmula Indy, por exemplo, já foram impulsionados por etanol extraído de microalgas por uma empresa norte-americana. No Brasil, o Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) analisa, em parceria com universidades, o aproveitamento das microalgas. O grande entrave ainda é produzir o etanol de microalga a um preço competitivo diante do petróleo e da cana-de-açúcar.

Marcio Busi acredita que assim que essa barreira for superada se abrirão muitas oportunidades para a suinocultura e o dejeto de suíno passará a ser cobiçado. “Como têm muitos nutrientes, os dejetos de suínos permitem a proliferação rápida das microalgas. Basta apenas um controle de operação, fácil e barato, para que elas troquem a quantidade celular de carboidratos e proteína por gordura. Assim, tornam-se matéria-prima de qualidade para a produção de biodiesel”, explica o pesquisador.

Sem o ajuste voltado ao biodiesel, as microalgas alimentadas com efluentes da produção de suínos, ricas em carboidrato e proteína, podem ser destinadas à produção de ração animal. Além de fornecer alimento para peixes, elas têm potencial para substituir parcialmente o milho e a soja nas rações de aves e suínos.

As microalgas podem ainda ser a base para a oferta de produtos voltados à saúde humana. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realiza um estudo para extrair um bioativo de microalgas. Esse bioativo será usado para gerar posteriormente um arroz enriquecido em betacaroteno, voltado a quem tem deficiência de vitamina A.

E há ainda o potencial para a indústria farmacêutica e cosmética. Pigmentos extraídos das microalgas funcionam como antioxidantes biológicos. Eles se transformam em filtros naturais e já são utilizados para a fabricação de batons com protetor solar.

Outro produto que já pode ser encontrado em lojas especializadas são as cápsulas de ômega 3 extraídas de microalgas. Segundo Márcio Busi, se essa indústria crescer ainda mais, a suinocultura tende a se tornar um fornecedor importante de matéria-prima porque já tem o ambiente adequado para o crescimento rápido das microalgas.

FONTE: Embrapa Suínos e Aves
Jean Carlos Porto Vilas Boas Souza – Jornalista
Telefone: (49) 3441-0454
E-mail: suinos-e-aves.imprensa@embrapa.br

Ministra negocia acordo sanitário e fitossanitário entre Brasil e União Europeia

Em viagem oficial à Europa, a ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) se reuniu ontem (26/05/15) com o ministro das Classes Médias, dos Trabalhadores Independentes, das PME, da Agricultura e Integração Social da Bélgica, Willy Borsus. Entre os temas tratados, está a celebração de um acordo sanitário e fitossanitário entre Brasil e União Europeia (UE).

O acordo diz respeito a entendimentos entre as áreas técnicas e não afeta as regras comerciais vigentes. O objetivo é tornar menos demorados processos que necessitam de aprovação mútua. O ministro Borsus ressaltou que a Bélgica tem voz ativa no bloco de países europeus e pode auxiliar nas negociações.

A proposta visa a estabelecer uma política bilateral para criação de um canal de comunicação mais célere nos temas sanitários e fitossanitários, a fim de estimular a cooperação e aumentar a confiança institucional nas tratativas que envolvam o comércio de animais, plantas e seus produtos, de ambos os lados.

A UE tem esse tipo de acordo com outros países estratégicos, como Estados Unidos e China. O Brasil, como primeiro exportador de alimentos para a União Europeia, também tem interesse em manter um diálogo de mais alto nível nesse contexto para aproximar as áreas competentes de ambos os lados no trato sobre os temas sanitários e fitossanitários.

Compromissos

A reunião bilateral faz parte de uma série de compromissos que a ministra está tendo durante sua viagem oficial à Europa para promover o agronegócio brasileiro. Ela participou no o dia 24 de maio, em Paris, da 83ª Sessão Geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que formalizou os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul como áreas livres de peste suína clássica.

Kátia Abreu manifestou interesse em estabelecer cooperação com a Bélgica para alinhar os padrões de qualidade do cacau brasileiro às demandas dos fabricantes de chocolates daquele país. Destacou que a Embrapa e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) poderão ser parceiras nesse esforço.

Já o ministro Borsus falou sobre o interesse da Bélgica em exportar peras para o Brasil, a habilitação de empresas para venda de gelatina e a conclusão do processo de elaboração do Certificado Zoosanitário para exportação de aves ornamentais.

FONTE: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Assessoria de Comunicação Social do MAPA
Priscilla Mendes – Jornalista
Telefone: (61) 3218-2203