Água e detergente podem exterminar mosca-branca de mandiocais

Os agricultores do Assentamento Quero-Quero, na região de Jardim, têm mais uma preocupação além da falta de água e energia elétrica: a mosca-branca, comum em períodos secos e quentes. Na beira da estrada que liga as propriedades, a praga modificou a paisagem desenhada pelas plantações de mandioca. As folhas da planta ficaram amareladas, sinal da presença do fungo Capnodium sp, conhecido como fumagina, que atrapalha o processo metabólico e respiratório da mandioca.

O agricultor Cândido da Silva, 67, observou “listras brancas entre a casca e a carne da mandioca colhida depois do ataque das moscas” ao seu mandiocal, mas “nada que mude o sabor do fruto”.

O técnico agrícola Antonio Minari, coordenador do Projeto de Apoio à Produção Sustentável no Território da Reforma, da qual Jardim e outras dez cidades fazem parte, garante que o fruto pode ser consumido, mas que a qualidade da mandioca e a produção não são as mesmas após o surto do inseto.

Segundo o técnico, o fruto pode ficar amargo e ter o tempo de cozimento estendido. Para fins industriais o estrago é maior. “A mandioca atingida pela mosca-branca não é recomendada para a produção de farinha, pois afeta o teor de amido”.

O QUE FAZER

Inseticidas químicos são ineficientes para dizimar a praga. Contra a mosca-branca use a mistura recomendada por Minari: detergente líquido e água. A proporção deve ser de 2 a 5% do produto por litro de água. A mistura deve ser borrifada na parte de baixo da planta, onde estão concentrados os insetos, de preferência no final da tarde.

A operação pode ser repetida em intervalos regulares de cinco dias, até a redução da população de adultos e de ninfas. É o que recomenda estudo publicado em 2006 pelos pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Marcos Antonio Barbosa e Alba Rejane Farias [acesse os links para baixar as publicações ao final da matéria].

De acordo com a pesquisa, o controle deve ser iniciado “após a constatação dos primeiros surtos e ou focos da praga face a rápida disseminação e proliferação deste inseto”.

FORÇA PARA A AGRICULTURA

O Projeto de Apoio à Produção Sustentável no Território da Reforma prepara agricultores familiares de onze cidades sul-mato-grossenses para desenvolver sua produção e comercialização. A Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (Funar) é executora do projeto, fruto de parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar/MS), Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) e Sebrae/MS.

PARA SABER MAIS

Circular Técnica 42 da Embrapa (342 Kb – arquivo PDF)

Comunicado Técnico 56 da Embrapa (116 Kb – arquivo PDF)

FONTE

Sato Comunicação

Carlos Henrique Braga ? Agente de Informação

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