O cerrado e a preservação de seus recursos naturais

Autoria:

Itamar Pereira de Oliveira
Professor da FMB
Pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão

Contato:

Itamar Pereira de Oliveira

EMail:

itamar@cnpaf.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

(62) 3533-2170

Palavras-Chave:

cerrado, preservação, desconhecimento

Resumo:

O Cerrado é localizado basicamente no Planalto Central do Brasil e uma pequena área em outras regiões. É o segundo maior bioma do País, caracterizado por vegetação baixa e tortuosa e, topografia plana. É cortado por três grandes bacias hidrográficas, com índices pluviométricos que lhe propiciam biodiversidade.

A conservação desta biodiversidade deve indiscutivelmente aliar-se ao desenvolvimento nacional. No entanto, tal desenvolvimento deve ser baseado na avaliação do potencial dos seus recursos naturais.

Corpo:

O Cerrado ocupa uma área superior a 200 milhões de ha, cerca de 23% do território brasileiro. Sua ocupação iniciou-se no século XVIII com a abertura e assentamento de povoados para a exploração de ouro e pedras preciosas. Sua expansão se deu com a criação extensiva de gado. Ocupação mais intensiva aconteceu a partir de 1930, através da ligação ferroviária entre São Paulo e Anápolis, passando pelo Triângulo Mineiro. A expansão agrícola do Cerrado ocorreu em função da construção Brasília no final de 1950 e a adoção de estratégias e políticas de desenvolvimento e investimentos em infra-estrutura entre 1968 e 1980. A construção de um sistema rodoviário ligando-a aos centros desenvolvidos, a partir de 1970, permitiu a região contatos comerciais com os grandes centros. Políticas agrícolas criaram condições para a expansão da agricultura, com crédito subsidiado e isenção de impostos. Programas governamentais de preços mínimos, subsídio a combustíveis e desenvolvimento de tecnologias apropriadas aperfeiçoaram o aproveitamento de seus recursos.

A palavra recurso significa algo a que se possa recorrer para a obtenção de alguma coisa. O homem recorre aos recursos naturais, isto é, aqueles que estão na Natureza, para satisfazer suas necessidades. Podem ser renováveis, isto é, podem voltar a ser disponíveis, ou não renováveis. A flora e a fauna são exemplos de recursos naturais renováveis. Uma planta ou animal podem ser reproduzidos de forma infinita. Os minerais como o petróleo estão classificados de recursos naturais não renováveis porque são esgotáveis. Conservar os recursos naturais implica em usá-los de forma econômica e racional para que, os renováveis não se extingam por mau uso e os não renováveis não se extingam rapidamente. Deve-se criar planos de manejo adequados para que se previna a ação nociva do homem. A reciclagem do recurso natural não renovável e a economia advinda possibilitam a dilatação do prazo de existência dos recursos naturais. Preservar é definida como e quot;uso indireto e racional de recursos naturais renováveis, mantendo-se a taxa normal de extinção das espécies e quot;. Assuntos importantes como biodiversidade da flora e da fauna nem sempre são aceitos por países desenvolvidos como os Estados Unidos que negam comprometimento de preservação com o resto do mundo. A preservação da biodiversidade é importante para que o homem tenha tempo de descobrir a utilidade das espécies, para a sua própria sobrevivência. A cura de muitos males que hoje existem e que ainda virão a existir, pode estar em plantas em extinção ou poderia estar em outras que já foram extintas.

Outro, fato de relevante importância, é a manutenção das espécies originais ainda não modificadas pelo homem. Ao conseguir uma abobrinha verde amarela de tamanho comercial e importante para a humanidade mas, aí, poder estar ocorrendo uma erosão genética que precisará ser recomposta com a abobrinha primitiva. Dessa forma, são importantes as Reservas Biológicas. A rigor, a preservação dos recursos naturais renováveis só será bem sucedida se preservarem os ambientes primitivos, onde convivam, organizadamente, animais e vegetais, tendo-se o cuidado para que tais ambientes, se pequenos demais, não promovam a degenerência das espécies por serem parentes próximos; um Zoológico ou uma e quot;ilha e quot; de floresta podem levar a essa degenerência. Quanto aos recursos não renováveis, como a água, por exemplo, cumpre usá-la com sabedoria para reproveitá-la ao máximo e a rigor. Nesse caso, quanto menos poluí-la mais fácil será purificá-la para sucessivas utilizações.

Politicamente, a perspectiva de desenvolvimento bem sucedido do Cerrado deve centrar-se em mecanismos que promovam mudanças espontâneas. São prioridades: fortalecimento das instituições públicas; fortalecimento das decisões no nível local; divisão de responsabilidades; estabelecimento da base legal para o uso da terra; cooperação internacional e nacional para proteção da biodiversidade e reconhecimento da capacidade da terra. A conservação da biodiversidade do Cerrado deve indiscutivelmente aliar-se ao desenvolvimento nacional. No entanto, tal desenvolvimento deve ser baseado na avaliação do potencial dos seus recursos naturais. São prioridades estabelecer a capacidade de suporte populacional do meio ambiente; manter a integridade dos ecossistemas; promover a conservação e utilização sustentável dos recursos biológicos; impedir a poluição, minimizando ou cessando a descarga de materiais tóxicos no ar, água e terra; mobilização de segmentos da sociedade, entre os quais, os setores de turismo, agricultura, pesca comercial, saúde pública, industrial, e militar.

Os ecólogos devem considerar a relevância de seus resultados científicos para o processo de tomada de decisões. São prioridades: buscar informações ecológicas básicas; valorizar economicamente os serviços ecológicos fornecidos pela biodiversidade; determinar as forças que levam a sua perda. A capacidade de suporte dos principais solos do Cerrado será definida pela sua aptidão agroecológica. A coerência entre aptidão e uso efetivo virá da coerência entre os investimentos públicos e o potencial produtivo do solo. São prioritárias a definição de sistemas adequados de produção; manutenção e estabilidade do sistema de produção intensiva. Contudo nem sempre isso é observado, um exemplo de destruição do cerrado é a eliminação das veredas. Os buritis, embora protegidos por lei, são plantas que desenvolvem em áreas baixas e úmidas mas não aceitam inundação na raiz por longo período de tempo. Represas, em nome do progresso, são construídas sem cortar nenhuma árvore. Em curto intervalo de tempo essas plantas morrem por falta de arejamento. Outro exemplo é a destruição das matas ciliares, onde espécies animais e vegetais convivem e se multiplicam. Mesmo sob o controle dos proprietários, furtivos falsos turistas freqüentam os rios e se alojam nas margens retirando frutos e mudas de espécies em extinção eliminando a floresta com o tempo por falta de repovoamento das matas. Automaticamente os animais também são eliminados com a redução de alimentos. A destruição também acontece com os rios e as nascentes, onde a captação de água é realizada através de canalizações de alto volume sob a ação de bombas de sucção de alta potência para serem usadas em irrigação durante todo o ano, muitas vezes em culturas altamente tolerantes à seca. Ainda, quase sempre o cultivo das áreas chegam a distância de menos de dois metros do leito das águas.

Procure o homem preservar a natureza antes que ele também seja eliminado pela destruição da sua mãe protetora. Já disseram que e quot;O homem não morre ao dar seu ultimo suspiro e sim no momento em que pára de sonhar, pois nesta hora sua busca cessou e seu caminho chegou ao fim, o sonho acabou e quot;. Contudo vale a pena continuar sonhando com a preservação do cerrado.

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