Estatísticas agropecuárias contribuem no planejamento estratégico do setor

O planejamento estratégico do agronegócio brasileiro depende diretamente da coleta e da organização de informações atualizadas sobre a realidade da produção rural. E a complexidade desse trabalho é proporcional às dimensões continentais de um país como o Brasil, somada a uma série de impasses logísticos e culturais que dificultam a prospecção dos dados.
Superar esses desafios tem sido a tarefa do setor de Estatística Agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), que realiza, por meio de levantamentos mensais, anuais e plurianuais, um dimensionamento completo de tudo o que se produz e de como vivem as populações rurais nos mais de cinco mil municípios brasileiros.
“Sem conhecer a realidade do campo não é possível fazer planejamento agrícola”, aponta o supervisor de Estatística Agropecuária no estado de Tocantins, Geraldo Junqueira Filho. Mestre em zootecnia e coordenador desta área no Conselho Regional de Medicina Veterinária do estado, ele comenta a importância das pesquisas estatísticas para a orientação de políticas federais e estaduais para o agronegócio nacional.
Junqueira participou do Workshop Regional Norte da Ripa, em Belém, em agosto [2005], quando propôs o estabelecimento de uma parceria entre o IBGE e a Rede para potencializar esse trabalho de planejamento estratégico. “A participação do IBGE na Ripa é imprescindível”, considera. “O desenvolvimento atual do agronegócio não pode prescindir de informação em tempo real.”
Pesquisa
No workshop, Junqueira apresentou uma série de dados que compõem o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) para o estado do Tocantins, onde se concentra aproximadamente 37% da produção de grãos e quase 60% da produção de soja de toda a região Norte do país.
Nessa pesquisa, a captação das informações é feita de forma capilar, em parceria com associações de produtores, prefeituras e sindicatos, entre outros órgãos de representatividade local. Um dos objetivos da união de esforços, conforme relata o supervisor do IBGE, é romper a resistência cultural que muitos produtores manifestam diante do trabalho de campo dos pesquisadores. “Há uma cultura da independência entre eles”, cita.
Soma-se a isso a dificuldade de locomoção e de hospedagem que os técnicos do instituto geralmente enfrentam ao buscar dados em áreas remotas, onde estradas e acomodações são precárias ou inexistentes. “Muitas vezes temos que pedir pouso nas fazendas e desfazer a desconfiança dos proprietários e seguranças, que nem sempre entendem nosso trabalho”, afirma Junqueira.
De acordo com a pesquisa – que é atualizada a cada dois meses pelo órgão –, o estado tem assistido a um aumento acentuado de produtividade das lavouras de grãos desde 1990. Na cultura de milho, por exemplo, esse índice duplicou no período, saltando de aproximadamente mil quilos por hectare para 2 mil. Na soja, o número cresceu de 1,3 mil para mais de 2,5 mil. E, na safra de arroz, de 1,5 mil para quase 2,4 mil.
A cultura de grãos no estado se concentra na região sudoeste, às margens do Rio Araguaia, com produção unificada que ultrapassa as 20 mil toneladas. Em outras regiões, o destaque é a pecuária. Hoje, o Tocantins tem um rebanho bovino estimado em 7,9 milhões de cabeça, o que corresponde a cerca de sete animais para cada habitante.
Sociedade
Esses bons resultados são, em grande parte, estimulados pela incorporação de novas tecnologias de produção. Junqueira acredita, porém, que a adoção de inovações tecnológicas e a aplicação de conhecimento científico no agronegócio nacional é uma tendência que deve estar relacionada não apenas à busca pelo aumento da produtividade, mas também pela melhoria da qualidade de vida das populações rurais.
“A Rede Ripa deve ter um efeito de integração”, acredita. “O melhoramento na agricultura deve contemplar o melhoramento sócio-econômico, corrigindo os desníveis que existem na realidade social, econômica e cultural do país”, aponta.
Essa dimensão sócio-econômica da atividade agrícola brasileira deve ser alvo de um levantamento mais detalhado a partir do ano que vem, para quando está previsto o início do próximo Censo Agropecuário, feito de dez em dez anos. A última pesquisa desse tipo foi realizada em 1996. Para o levantamento de 2006-2007 deve ser investido um orçamento de R$ 400 milhões.
Assessoria de Imprensa – RIPA
E-mail: ripa@usp.br

Fonte: Portal Ripa

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