Agrosoft 2002: O Ensino a Distância e o Agronegócio na Sociedade da Informação: Diagnóstico e Perspectivas

O ENSINO A DISTÂNCIA E O AGRONEGÓCIO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO: DIAGNÓSTICO E PERSPECTIVAS

André Luiz Zambalde
Universidade Federal de Lavras

1. DO QUE SE TRATA

1.1. Introdução

O tema informática, de forma irreversível e inevitável, surgiu efetivamente no ensino agrícola do Brasil a partir dos anos 1980, através de disciplinas dos cursos de extensão, graduação e pós-graduação em Ciências Agrárias.

Hoje, as universidades brasileiras, voltadas ao setor agrícola, oferecem regularmente cursos em diversas áreas relacionadas ? informática e ao binômio informática/agropecuária, tais como redes de computadores e internet, desenvolvimento e uso de software ferramentas e aplicativos, modelagem e simulação, agricultura de precisão e sistemas de informações geográficas.

A modernização na agropecuária e no ensino agrícola, nos dias atuais, inevitavelmente está associada ? utilização de recursos computacionais.

Por outro lado, a oportunidade do uso das tecnologias de informação e mesmo as facilidades, presentes em algumas universidades e instituições públicas e privadas, não alcançam toda a comunidade do agronegócio. Ocorre um desnível entre indivíduos, organizações e regiões. Deve-se considerar um leque mais amplo, que tenha inclusão e justiça social como prioridades.

As modernas tecnologias de informação e comunicação devem ser utilizadas para gerar oportunidades de ensino, capacitação, informação e conhecimento a toda a comunidade.

Num país de dimensões territoriais como o Brasil, o Ensino a Distância (EAD) é um canal importante de geração destas oportunidades. Uma ferramenta potencial para a qualificação e formação do homem do campo, capacitação e treinamento profissional, além da difusão informações técnicas e gerenciais.

As novas tecnologias de informação e comunicação abrem oportunidades para integrar, enriquecer e expandir textos e materiais produzidos por escolas técnicas, universidades e centros de pesquisa. Além disso, possibilitam novas formas de comunicação e interação entre o mundo técnico e científico e a comunidade do agronegócio.

São aspectos críticos, no ensino a distância para o setor do agronegócio no Brasil: a implantação de infra-estrutura adequada nas organizações geradoras e receptoras de informações (instituições de ensino, cooperativas agropecuárias, agroindústrias, produtores, etc.); o desenvolvimento de softwares educacionais e de gestão de ensino a distância adequados e direcionados ao público do setor; a difusão da conectividade em rede – telecomunicações no meio rural; e o estudo e desenvolvimento de metodologias pedagógicas eficientes. Enfim, para que o EAD alcance o potencial de vantagens que pode oferecer, é preciso investir em seu aperfeiçoamento, utilização, adequação e sobretudo em sua difusão ao setor do agronegócio.

O presente texto tem como objetivo apresentar um diagnóstico do ensino a distância no setor do agronegócio no Brasil, além de uma visão das perspectivas de seu efetivo aproveitamento e utilização ao longo dos próximos anos. Inicialmente, são definidos alguns conceitos básicos da EAD e os principais elementos da Legislação de EAD no Brasil. Em uma segunda etapa tem-se um pequeno histórico e diagnóstico do EAD no Agronegócio. Finalizando, são apresentados os elementos perspectivos de sua utilização.

1.2. Conceitos básicos e legislação

A escolha do termo ensino e não educação a distância se deve ao fato de interpretar-se ensino como e quot;difusão e transmissão da informação e do conhecimento e quot; e educação como um e quot;processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do indivíduo e quot;. Educação é um trabalho sistematizado, seletivo e orientador, pelo qual nos ajustamos ? vida, de acordo com necessidades, ideais e propósitos dominantes – um aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas. Ensino é instrução, transmissão de conhecimento – esforço dirigido no sentido da formação (Lobianco, 2001).

Quanto ? expressão e quot;? distância e quot;, a crase é facultativa. Segundo alguns gramáticos, deve-se utilizar crase quando a expressão e quot;? distância e quot; vem acompanhada da metragem ou indicativo de distância. Se for referência imprecisa, não se deve usar a crase. Aceita-se, portanto, esta forma de escrita, que é a mesma presente na Lei 9394/96 – LDB – MEC em seu Artigo 80, ou seja, Ensino a Distância.

O Ensino a Distância é definido como uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação (texto impresso, radiodifusão, telefone/fax, fitas cassete e de vídeo, CDs, internet, videoconferência, internet2, etc.), utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação.

As bases legais do Ensino a Distância no Brasil foram estabelecidas por um conjunto de Leis, Normas, Decretos e portarias.

De acordo com a LDB (Lei No. 9.394 de 20/12/1996), e quot;o poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada e quot;. A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: custos de transmissão reduzidos; concessão de canais educativos; reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais.

O Decreto No. 2.494 de 10/02/1998 estabelece que os cursos a distância que conferem certificado ou diploma de conclusão do ensino fundamental, do ensino médio, da educação profissional e de graduação serão oferecidos por instituições credenciadas e quot;. A Portaria Ministerial No. 301 de 07/04/1998 vem e quot;normatizar os procedimentos de credenciamento de instituições para a oferta de cursos de graduação e educação profissional tecnológica a distância e quot;.

O Decreto No. 2.561 de 27/04/1998 delega competência ao Ministro da Educação, para promover os atos de credenciamento das instituições de ensino vinculadas ao sistema federal de educação.

A Resolução No. 1 do Conselho Nacional de Educação estabelece que os cursos de pós graduação strictu sensu a distância serão oferecidos exclusivamente por instituições credenciadas pela União, obedecendo as exigências de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento. Esta resolução estabelece ainda que e quot;os cursos de pós graduação lato sensu a distância só poderão ser oferecidos por instituições credenciadas pela União e deverão incluir necessariamente, provas presenciais e defesa presencial de monografia ou trabalho de conclusão de curso e quot;. As Instituições com autonomia para criar cursos de pós graduação devem formalizar seu pedido de reconhecimento do curso por ela criado até, no máximo 12 (doze) meses após o inicio do funcionamento do mesmo.

Finalmente, a Portaria No. 2.253 de 18/10/2001, vem permitir e normatizar a inclusão de disciplinas que, em seu todo ou em parte, utilizem o método não presencial, nos cursos de graduação. e quot;As disciplinas, integrantes do currículo de cada curso superior reconhecido, não poderão exceder a vinte por cento do tempo previsto para integralização curricular e quot;. e quot;As instituições de ensino superior credenciadas como universidades ou centros universitários ficam autorizadas a modificar o projeto pedagógico de cada curso superior reconhecido para oferecer disciplinas que, em seu todo ou em parte, utilizem o método não presencial e quot;.

2. ONDE ESTAMOS

2.1. Histórico do EAD no agronegócio

Pode-se afirmar que tudo teve inicio com o material impresso. A utilização deste tipo de material para cursos de EAD no país começou com o Instituto Rádio Técnico Monitor na área de eletrônica e em 1941, com Instituto Universal Brasileiro, que fez algumas incursões no setor agropecuário.

Em 1982, a Asssociação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS – www.abeas.com.br) iniciou seus programas de Pós-graduação a Distância Lato Sensu, oferecendo cursos com duração média de 1 ano e titulação reconhecida pelo Ministério de Educação. Os cursos sempre foram auto-instrucionais, onde a elaboração do material escrito (módulos ou apostilas) é prioridade, garantindo o estudo independente e individualizado. Quando necessário, são usados outros meios de apoio pedagógicos, entre os quais leituras complementares, fitas de vídeos ou CD-Rom, para conquistar os objetivos instrucionais. O Encontro Nacional é a oportunidade de contato pessoal entre o aluno, os tutores e os coordenadores. Durante o Encontro são ministradas aulas descritivas e/ou práticas, debates, visitas de campo e aplicação das provas.

Em 1987, a Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA – www.ufla.br) foi a primeira instituição de ensino superior a lançar cursos de pós-graduação Lato Sensu a distância (www.openufla.com.br). O primeiro curso, intitulado Produção de Ruminantes, tinha 83 alunos matriculados. A sistemática de funcionamento continua sendo utilizada até hoje: o material escrito (módulos de ensino ou textos acadêmicos) com informações técnicas, exercícios práticos e instruções é encaminhado ao aluno pelo correio. Informações complementares são fornecidas através de fax e telefone. Encontros técnico presenciais são realizados periodicamente para aulas descritivas e/ou práticas, debates e aplicação de avaliações. Atualmente, são ministrados mais de 40 cursos, estando matriculados aproximadamente 12.000 alunos (Lopes, 2000).

A educação a distância no agronegócio passou pelas ondas do rádio, através de programas técnicos informativos das emissoras universitárias e através de emissoras de entidades religiosas. A Igreja Católica do Brasil começou a trabalhar na educação da população através de emissões radiofônicas no final dos anos 1950. Em 1961, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil estruturou o Movimento de Educação de Base (MEB) e, com o apoio do governo federal, iniciou uma grande frente de luta para a educação via rádio. Os programas compreendiam além da alfabetização, aritmética, saúde, trabalhos agrícolas e programações especiais, complementados por apostilas e explicações locais através dos chamados monitores de ensino (Cavalcante, 1996).

A primeira experiência de programas educativos via TV e em circuito fechado foi em 1958, na Universidade de Santa Maria (RS), para alunos de Medicina. Em 1961, a Secretaria de Educação de São Paulo levou ao ar o programa e quot;Admissão pela TV e quot;, visando preparação para o nível médio. Hoje temos o Telecurso e a TV Escola, além disso, algumas TVs apresentam programas com enfoque no meio rural, como o e quot;Globo Rural e quot;. Tem-se ainda um canal exclusivo para o setor agropecuário, o e quot;Canal Rural e quot;, a comercialização de vídeos educacionais direcionados ao setor (www.cpt.com.br) e mesmo apresentações curtas em TV Educativa (Minuto do Campo – UFLA).

Finalizando este pequeno histórico, chegamos ao uso da informática no ensino. Este uso começou a ser idealizado já na década de 1960, quando se pensava em salas de aula com terminais de vídeo para cada aluno. Surgiram o Treinamento Baseado em Computador (CBT) e a Instrução Baseada em Computador (CAI), que foram muito utilizados (e ainda o são) com base em disquetes e CDs. Com o advento da Internet e das interfaces gráficas, a comunicação e o acesso ? informações a distância cresceram vertiginosamente. Universidades e empresas privadas fazem hoje sua incursão no EAD direcionado ao agronegócio, entre as quais podemos citar: UFLA (www.ufla.br), UFV (www.ufv.br), UFJF (www.agrosoft.com.br) e Agroescola (www.agroescola.com.br).

2.2. Diagnostico do EAD

O EAD no agronegócio encontra-se atualmente fundamentado em duas modalidades de cursos: extensão e pós-graduação lato sensu e em três modos ou suportes de informação: material impresso, fita de vídeo e mídia digital (CDs e Internet).

No que diz respeito aos cursos de extensão, as principais ofertas são originárias das Universidades de Lavras (www.uflatec.com.br) e Piracicaba (http://www.ciagri.usp.br/~cedeca/) e da empresa E-Farm Consultoria e Empreendimentos (www.agroescola.com.br).

Figura 1. Ensino a distância: Extensão

O Centro de Tecnologia em Informática (UFLATEC) e o Centro de Ensino a Distância em Ciências Agrárias (CEDECA) tem objetivos comuns, quais sejam: realizar pesquisas em didática e em tecnologia educacional, destinadas ao ensino a distância em ciências agrárias; auxiliar entidades públicas e/ou privadas na implementação de cursos a distância usando Internet e Multimídia; contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico do ensino a distância possibilitando a disseminação do conhecimento acumulado na área de ciências agrárias e promover a qualificação e requalificação profissional de técnicos e profissionais de ciências agrárias.

O CEDECA oferece atualmente dois cursos de extensão, ambos baseados na Internet. O UFLATEC oferece mais de 30 cursos de extensão, tem experiência de 2 anos na área e aproximadamente 400 alunos certificados. O aluno realiza o curso totalmente via Internet, por um prazo de 30 dias, onde tem acesso a conteúdo, lista de mensagens, desafios, chats (bate-papo) e avaliação a distância. A ferramenta de ensino utilizada pelo CEDECA é o WebCT (www.webct.com) e pelo UFLATEC é o WebUFLA.

O site Agroescola já ofereceu mais de 40 cursos de extensão, tem grande experiência na área e presta serviços de consultoria e desenvolvimento de cursos para outras organizações. O Software de ensino a distância utilizado pelo Agroescola é baseado na ferramenta Agrosoft. Atualmente, o Agroescola vem desenvolvendo uma ferramenta de uso livre, juntamente com o Softex/Agrosoft.

Com relação ? Pós-Graduação Lato Sensu, a maioria das instituições que promovem o ensino a distância para o setor de agronegócio utilizam material impresso e Internet. Algumas têm o apoio de material em vídeo e CD. As principais Instituições são: Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS – www.abeas.com.br), Universidade Federal de Lavras (www.openufla.com.br), Universidade Federal de Juiz de Fora (www.agrosoft.com.br) e Universidade Federal de Viçosa (www.ufv.br/cead).

Figura 2 . Ensino a Distância: Pós graduação Lato Sensu

O princípio metodológico básico é o seguinte: O material escrito (apostilas) com as informações técnicas, exercícios práticos e instruções é encaminhado ao aluno pelo correio, obedecendo cronograma pré-estabelecido para cada curso. Informações técnicas complementares podem ser solicitadas por correio, fax, telefone ou internet aos professores responsáveis pelo módulos/disciplinas. São realizados um ou dois encontros técnicos presenciais ao ano, com duração média de uma semana cada. Certificado de conclusão, com Título de Especialista, é conferido pelas instituições, ? queles que cumprirem as exigências legais, incluindo aprovação em monografia.

Evidentemente, ocorrem algumas diferenças metodológicas e de uso de ferramentas computacionais de suporte aos cursos. A UFJF (Agrosoft), por exemplo, atua especificamente via Internet, ou seja, não envia módulos impressos pelo correio. Disponibilizando-os na página de curso para cópia e acompanhamento de sala de aula, além de manter uma ferramenta de ensino em constante aperfeiçoamento.

No contexto das Ferramentas de Ensino, apurou-se que a UFV utiliza o Learning Space da Lotus (http://www.lotus.com/home.nsf/welcome/learnspace), a ABEAS esta em negociação com o Agrosoft e Agroescola, que utilizam ferramenta própria. A UFLA utiliza o WebUFLA. A Figura 3 apresenta uma pequena ilustração das ferramentas WebUfla e Agrosoft.

Figura 3. Ferramentas de gestão: UFLA e UFJF (Agrosoft)

As principais áreas e temas dos cursos oferecidos são: administração rural, gestão da informação no agronegócio, biotecnologia, gestão agroindustrial, agricultura de precisão, agrocomércio eletrônico, rastreabilidade de bovinos, informatização da empresa, engenharia e manejo de irrigação, gestão de recursos hídricos, proteção de plantas, fruticultura, agricultura tropical, caprinocultura, tecnologia de sementes, controle de incêndios, produtos veterinários, desenvolvimento sustentável, legislação agrícola, manejo de pastagens, nutrição de plantas, sensoramento remoto, plantio direto, toxicologia animal, bovinocultura leiteira, farmacologia, gestão e manejo ambiental, solos e meio ambiente, qualidade de alimentos de origem vegetal e animal, fertilidade do solo, manejo de doenças e pragas, máquinas agrícolas, pós-colheita, qualidade de carne, leite, ovos e pescado, fontes alternativas de energia e eletricidade na agropecuária.

Existem ainda um conjunto de Universidades públicas e particulares que tem promovido o ensino a distância no Brasil e mesmo formando consórcios para o oferecimento de cursos de extensão, graduação e pós graduação. Alguns desses empreendimentos, ? s vezes, tratam do setor agropecuário. Como exemplo podemos citar: (a) Unirede (www.unirede.br): um consórcio de 61 instituições públicas que objetiva atender ao ensino de graduação e pós graduação; (b) Universidade Federal de Santa Cataria (www.led.ufsc.br): é uma das mais bem preparadas universidades no que diz respeito ? utilização de videoconferência, atuando com mestrado e doutorado em áreas diversas e profissionalizantes; (c) UVB (www.uvb.br): Universidade Virtual Brasileira, um consórcio de nove instituições de ensino privado, dentre as quais a Anhenbi-Morumbi (SP), Amazônia (PA), Pantanal (MS), Potiguar (RN) e Triângulo Mineiro (MG); (d) Univir (www.univir.com.br): com 5 anos de existência, a Univir oferece cursos técnicos, de extensão e de pós graduação certificados pela UniCarioca. A Univir tem atualmente 20 mil alunos cadastrados, a grande maioria de cursos técnicos e de extensão. São 15 áreas que cobrem desde agropecuária e meio ambiente, até cursos de telecomunicações e saúde; (e) Rede Capa (http://www.redcapa.org.br/): rede de instituições vinculadas a capacitação em economia e políticas agrícolas para a América e Caribe (Figura 4).

Figura 4. Univir e Rede Capa

3. PARA ONDE VAMOS

O Brasil necessita utilizar-se do ensino a distância para levar a informação, o conhecimento e a capacitação ao setor do agronegócio, seja através de material impresso, rádio, tv ou das novas tecnologias de informação e comunicação, como Internet, Videoconferência e TV Digital.

O EAD é uma resposta para a demanda por oportunidades, nas agroindústrias, nas cooperativas, nas instituições de ensino e pesquisa e na pequena propriedade rural. Deve-se ter em mente os principais desafios a serem enfrentados neste contexto, quais sejam:

Formação tecnológica

Desde os anos 80, quando foram efetivamente colocadas as disciplinas relacionadas ? informática nas escolas, as tecnologias de informação e comunicação evoluíram de forma impressionante. Estas tecnologias já deveriam ser consideradas vetores de desenvolvimento econômico e social no contexto do agronegócio. No entanto, isto ainda não ocorre no Brasil.

Deve-se buscar a capacitação dos profissionais do agronegócio na geração, aplicação e uso das tecnologias de informação e comunicação, principalmente aquelas relacionadas ao ensino e difusão da informação e do conhecimento a distancia. Há carência de técnicos, graduados e pós-graduados para atuação no mercado nacional e internacional.

A inclusão de disciplinas como Informática básica e Informática Aplicada a Agronomia, Zootecnia, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária, Administração Rural, entre outras, deve ser uma componente da reforma curricular que hora se inicia nas escolas e universidades em função de exigências da LDB.

O oferecimento de um percentual de disciplinas tradicionais destes cursos na modalidade a distância pode despertar o interesse, a motivação e a conscientização dos alunos sobre as oportunidades do EAD e de ferramentas de difusão da informação e do conhecimento.

O governo e as instituições devem apoiar a criação e o oferecimento de cursos de pós-graduação lato e stricto senso (a distância ou presenciais) nas áreas de Informática agropecuária, Gestão da informação no agronegócio, Sistemas digitais, automação e controle agrícola, Agropecuária de precisão, entre outras.

O EAD permite que as instituições de ensino e pesquisa promovam cursos em cooperação com outros países e mesmo videoconferências internacionais. Em um futuro não muito distante, americanos, brasileiros e europeus vão poder estudar juntos, sem ter que sair do país. Isto já pode ser feito hoje, com o uso de ferramentas de ensino por professores e pesquisadores de diversas partes do mundo. Imagine a contratação de um curso a distância sobre agricultura de precisão junto a uma universidade americana! Por que as nossas universidades ainda não estão fazendo isto para a graduação e pós-graduação?

No que diz respeito ? s Cooperativas, ? Agroindústria e ? s grandes Corporações do Agronegócio, tem-se que as mesmas necessitam investir em capacitação de pessoal e gestão do conhecimento. Neste sentido, deve-se encontrar uma maneira para que as mesmas possam implementar cursos de formação, aperfeiçoamento e especialização baseados em módulos impressos e Internet.

O conhecimento técnico e principalmente o conhecimento administrativo e de gestão é de fundamental importância para os setores produtivos e administrativos das organizações. A implantação de Universidades Coorporativas e/ou de cursos de Especialização e Mestrado Profissional é uma necessidade emergente. Por outro lado, a que se incentivar a implantação de portais com informações técnicas, gerenciais e EAD que atendam ? s cadeias de produção.

Concientização, capacitação e incentivo a professores/pesquisadores

Um dos principais erros da maioria dos projetos de difusão da informação e do conhecimento e da adoção e uso de tecnologias de informação e comunicação no país é exatamente não levar em conta o professor. A capacitação, o incentivo, a formação deve ser do professor/pesquisador – facilitar a compra de equipamentos e livros, acesso a internet e a novas tecnologias. Profissional motivado e com apoio institucional é certeza da chegada do conhecimento e da qualificação ? sociedade.

Aqueles que trabalham com ensino a distância no agronegócio (e na maioria dos setores) sabem que conteúdo técnico e científico existe, mas que este ainda não chegou ao campo e ? s organizações. Docentes e pesquisadores não tem o incentivo necessário para comunicar seus estudos e descobertas no contexto da extensão. Portanto, na questão de conteúdo e comunicações, cabe implantar a bolsa extensão, que deverá incluir o uso de tecnologias de informação e comunicação para difusão de estudos e da pesquisa realizada nas instituições.

Finalmente, deve-se incentivar projetos, workshops, seminários, mini-cursos e congressos que tenham como tema principal o Ensino a Distância no setor do Agronegócio. O objetivo deve ser a conscientização de docentes e pesquisadores quanto as potencialidades do EAD (não somente no contexto de uso de tecnologias de informação e comunicação, como também do que diz respeito ? produção e difusão de vídeos, textos e programas multimídia educacionais).

Infra-estrutura – computação e comunicações

O grande desafio para uso intensivo de tecnologias de informação e comunicação no ensino e difusão da informação e do conhecimento no setor do agronegócio é o de implantação de infra-estrutura adequada, em instituições de ensino e pesquisa e no campo. Esta infra-estrutura compõe-se de: telefonia rural e/ou transmissão satélite e conectividade em rede a baixo custo (linhas telefônicas e enlaces dedicados de internet, antenas parabólicas para recepção de sinais de TV e de computadores); salas de produção de conteúdos adequados ? difusão em massa (rádio, tv e vídeo), ? elaboração material impresso (editoração e impressão) ou computacional (laboratórios multimídia e redes de computadores).

Nas telecomunicações, um exemplo claro esta na própria lei do ensino a distância e quot;o poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais e quot;.

Neste sentido, as questões que se apresentam são as seguintes: Os custos dos links de internet são mais baratos para as instituições públicas e privadas que realizam EAD ? Os canais de Rádio e TV tem recebido apoio governamental para o EAD ? É possível a criação da TVAgroescola? E do ProinfoRural? As gráficas das universidades que realizam o EAD têm tratamento diferenciado? A Universidade de Lavras/MG – UFLA, que faz ensino a distância a mais de 15 anos, e mesmo outras como a UFV, UFJF e a Empresa Agroescola, por exemplo, já receberam algum investimento, incentivo ou apoio da Secretaria de Ensino a Distância do MEC? O Ministério da Educação e o Ministério da Ciência e Tecnologia têm apoiado estas instituições? Enfim, quais são as iniciativas e articulações para fazer chegar a EAD ao campo ?

Universidades e instituições de pesquisa devem implantar laboratórios multimeios. A produção interdisciplinar de materiais por parte de alunos, professores e pesquisadores deve ser incentivada para que sejam estabelecidas relações entre os diversos temas de ensino e pesquisa. Criar também laboratórios que viabilizem elaboração e testes de cursos e/ou mini-cursos que envolvam as diversas mídias.

Alfabetização digital

Se a penetração natural das tecnologias de informação e comunicação na cidade se restringe basicamente ? s classes de maior poder aquisitivo. O que dizer então do setor do agronegócio.

O que tem sido feito com relação a este setor que impulsiona o crescimento da economia brasileira e reafirma a vocação rural do país?

Com um produto interno bruto (PIB) de R$ 344,95 bilhões, o agronegócio produziu 27% de todas as riquezas do país, em 2001. Isto significa que, além de injetar dinheiro nos cofres públicos, o agronegócio gerou empregos, impulsionou a lucratividade dos homens do campo e, mais do que isso, fez o Brasil crescer. Até mais do que a indústria (BAETA, 2002).

Imaginem o agronegócio recebendo toda a informação e conhecimentos gerados pelas instituições de ensino e pesquisa – adotando tecnologia de ponta e com pessoas com um mínimo de e quot;aprendizado técnico, administrativo, geral e digital e quot;.

Desenvolver e viabilizar alternativas em software, hardware e qualidade

Softwares de gestão e administração de ensino a distância devem ser desenvolvidos. Estes softwares devem ser gratuitos e de fácil uso. Os profissionais de ensino e pesquisa devem aperfeiçoar/desenvolver processos, procedimentos e softwares, seja em modo Internet, TV Digital, Internet2 ou via TV, fitas de vídeo e material impresso. Somente com eles o EAD em larga escala poderá se tornar uma realidade, alavancando alternativas de alfabetização digital, bem como de capacitação e formação técnica e gerencial no agronegócio.

Devem também ser estudadas, testadas e implantadas metodologias de EAD especificamente voltadas ao Agronegócio, bem como sistemas de análise de qualidade de cursos e sistemas e modos de avaliação não-presencial. É fundamental zelar pela qualidade do EAD.

Também, a iniciativa privada e o governo devem buscar parcerias com as Universidades para o desenvolvimento de aplicações educacionais específicas do agronegócio.

Deve-se ainda desenvolver sistemas de hardware de baixo custo, que permitam a capitação de sinais de satélites (e que estes sejam de baixo custo para o homem e a empresa do campo) acompanhados de componente multimídia, facilitando o ensino-aprendizagem.

4. O QUE FAZER

Formação tecnológica (Educação no Agronegócio)

Incentivar a criação de disciplinas que envolvam tecnologia da informação e agropecuária nas instituições de ensino técnico, superior e de pós-graduação em Ciências Agrárias.

Difundir a possibilidade (e incentivar) o oferecimento de um percentual de disciplinas tradicionais dos cursos das instituições de Ciências Agrárias na modalidade a distância.

Apoiar a criação de cursos de extensão, técnicos, de graduação e de pós-graduação científica e profissional ? distância em Ciências Agrárias.

Facilitar e apoiar a promoção de workshops, seminários, cursos e mini-cursos internacionais (em cooperação com outros países) apoiados por ferramentas computacionais, videoconferência ou TV Digital.

Incentivar e apoiar a parceria entre empresas rurais, cooperativas, agroindústrias e universidades, para que estas implantem sistemas de difusão de informação e conhecimento (Portais Eletrônicos) e Universidades Corporativas (cursos de técnicos e mestrado profissional).

Concientização, capacitação e incentivo a professores/pesquisadores

Financiar, através de bolsas de extensão e de aprendizado tecnológico, a capacitação de professores, pesquisadores e estudantes em EAD no Agronegócio. Treinar professores em produção de material para EAD.

Subsidiar ou facilitar a aquisição de tecnologia computacional e de material de pesquisa para professores, estudantes e pesquisadores da área de EAD em Ciências Agrárias.

Incentivar e apoiar projetos, workshops, seminários, mini-cursos e congressos que tenham como tema principal o Ensino a Distância no setor do Agronegócio ou mesmo a Tecnologia da Informação no Agronegócio.

Infra-estrutura : computação e comunicações

Fazer cumprir a lei no que diz respeito a infra-estrutura (gratuita?) de comunicações (links de internet, canais de TV e rádio) nas Universidades e Instituições que atuam com EAD no Agronegócio.

Disponibilizar, através de editais, recursos financeiros para a implantação de laboratórios computacionais, salas de videoconferência e sistemas de rádio e TV educativos, nas instituições que promovam o EAD no Agronegócio.

Criar a TVAgroescola – através de incentivo ? produção de mídias educacionais direcionadas ? s Ciências Agrárias pelas TVs Universitárias.

Implantar o ProinfoRural – viabilizando a criação de Laboratórios Computacionais em instituições que atuem com ensino e pesquisa em Ciências Agrárias e em Comunidades Rurais.

Dispobilizar, através de editais, recursos financeiros para que as Instituições que atuem com EAD no Agronegócio implantem laboratórios multimeios – produção de mídias computacionais, fitas de vídeo, material impresso, entre outros meios.

Alfabetização digital

Incentivar e apoiar ações de extensão que tenham como objetivo a difusão e inclusão digital de comunidades e assentamentos agrícolas e mesmo de organizações do setor de agronegócio, como cooperativas e agroindústrias rurais.

Desenvolver e viabilizar alternativas em software, hardware e qualidade

Financiar, via editais, o desenvolvimento de software direcionado ao EAD no Agronegócio: software educacional rural livre e software para gestão do ensino a distância.

Incentivar e apoiar pesquisas nas áreas de: software educacional, aperfeiçoamento e metodologias para EAD no agronegócio; modos e técnicas de avaliação de aproveitamento e qualidade do EAD no agronegócio.

Apoiar o desenvolvimento de hardware direcionado a facilitar a recepção e/ou transmissão de sinais no setor rural, a baixo custo.

5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  • BAETA, C. A força que vem do campo. Estado de Minas Economia. No. 49, pp. 32-37. Maio de 2002.
  • CASTRO, A. L. B. Uma experiência de educação a distância em cursos de graduação. Rio de Janeiro: Universidade Castelo Branco. Pesquisado em 15/04/2002. Endereço: http://www.abmes.org.br/abmes/publica/Revista/estud26/ana.htm.
  • LOBIANCO, J. L. B. A informatização do ensino agropecuário a distância no Estado de Minas Gerais. Rio de Janeiro-RJ/COPPE Sistemas: Dissertação de Mestrado, 2001.
  • LOPES, M. A. et al. Educação via internet direcionada ao setor agropecuário: o caso UFLATEC. Revista Brasileira de Agroinformática, Vol. 3, No. 1, pp. 1-12. 2000.
  • CAVALCANTE, M. Saber para viver: igreja, rádio e educação popular. Uma história do MEB Limoeiro do Norte, CE (1962-1972). Brasília-DF/UnB: Dissertação de Mestrado.
  • SANTOS, A. C. Implantação de cursos virtuais de especialização e atualização em segurança pública na PMMG. Belo Horizonte-MG/PMMG: Monografia de Curso de Especialização em Segurança Pública.